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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Patrocine um catador de lixo



O projeto 'Pimp My Carroça' quer transformar as carroças dos catadores em obras de arte ambulantes. Foto: Flickr /Blog do Milton Jung (Creative Commons)
“Se eu tivesse apenas um único dólar, investiria em propaganda”. Quando Henry Ford disse essa célebre frase na década de 1920, no auge do sucesso do seu modelo de produção, ele talvez não soubesse, mas estava inaugurando uma nova era na comunicação coorporativa. Hoje, quase um século depois, a propaganda tem orçamento garantido e obrigatório em qualquer organização e só em 2010 movimentou 12,9 bilhões de dólares na economia brasileira.
Os gráficos das agências de publicidade costumam exibir duas curvas de crescimento: investimento em propaganda e aumento do consumo. Mas esquecem de uma terceira curva que também vem a reboque: o aumento da produção de lixo.
São Paulo, cidade que há três anos tem crescimento de investimento publicitário acima de 10%, produz hoje 17 mil toneladas de lixo por dia. Pouco mais de 1% disso é reciclado. Diante desses números, duas iniciativas surgiram para agregar valor a uma atividade antiga, geradora de cifras bem mais modestas do que as publicitárias, mas que é responsável por 90% de toda reciclagem da cidade de São Paulo.
Em São Bernardo do Campo (SP), um grupo de empreendedores está transformando os carrinhos de catadores de materiais recicláveis em spots publicitários. A ideia é simples: colocar anúncios e aproveitar a visibilidade natural que esses trabalhadores têm no trânsito. “Os anunciantes terão sua marca institucional exposta pela cidade e vinculada a um programa socioambiental”, diz Elaine Santos, idealizadora do projeto ECO.
A meta do programa é combinar a renda da venda de materiais com a verba publicitária da veiculação dos anúncios e, dessa forma, melhorar a qualidade de vida desses trabalhadores. Os carrinhos funcionam com eletricidade e tem tecnologia adaptada para as necessidades deles. “Além de mais conforto e segurança, o projeto ainda prevê uma série de benefícios trabalhistas como cursos de capacitação, seguro contra acidentes, convênio médico, programas de lazer e cultura, uniformização e Equipamentos de Proteção Individual (EPI)”, diz Elaine.
Sai o veículo tradicional feito de madeira e entra um carrinho elétrico, mais moderno, funcional e com os spots publicitários. Pelas contas do projeto, cada veículo reverterá 600 reais mensais de verba publicitária para a cooperativa. Esse valor será dividido para complementar a renda do trabalhador externo, que faz a coleta nas ruas.
Outro projeto é o Pimp My Carroça, do grafiteiro Mundano, que já levantou 34 mil reais no Catarse, site de financiamento coletivo. O projeto vai transformar as carroças dos catadores em obras de arte. “Meu sonho é que o projeto seja um marco histórico para questionar e mudar o descaso da sociedade em relação aos catadores e o destino toneladas de materiais recicláveis que desperdiçamos diariamente”, diz Mundano. Para isso ele vai transformar as carroças em obras de arte com frases de efeito criadas pelos próprios catadores. Uma já pintada e que foi usada no vídeo do projeto é: “Um catador faz mais que um ministro do Meio Ambiente”.
Além de dar visibilidade para os carroceiros das ruas da cidade, Mundano diz que eles terão uma série de benefícios como consulta com clínico geral, oftalmologista, especialista em dependência química. “O combustível dessa galera é água e alimento, eles são o próprio motor. Temos que refletir sobre isso”.
Daniela Teixeira trabalha na produção PMC e conta que esse é o primeiro projeto submetido ao Catarse: “Somos uma pequena equipe na organização do evento, mas estamos contando com muitos voluntários para a realização do Pimp my Carroça, que terá seu lançamento durante a Virada Sustentável, em São Paulo (nos dias 2 e 3 de junho). Percebemos que seria possível realizar uma primeira campanha de sucesso, que possibilitasse uma primeira edição coletiva, e ainda, nos estimulasse a pensar num modelo itinerante para o projeto”.  Mesmo ainda em fase inicial, os dois projetos já impactam a vida dos catadores. Maria da Penha Aparecida da Cunha Guimarães, conhecida como Maúa, tem 53 anos é viúva e trabalha como catadora há 25 anos. Ela é diretora executiva da Coopcent, cooperativa que fará parte do programa ECO. Para ela o novo carrinho elétrico e a uniformização dos trabalhadores tem trazido dignidade para a categoria. “O projeto mostra tanto para a população quanto para os empresários a nossa organização e seriedade. Muda até a maneira como nos enxergamos”, diz Maúa.
As duas iniciativas refletem uma pesquisa do IBGE que aponta que a quantidade de lixo no Brasil superou em 40% o aumento populacional nos anos 90. O principal fator foi justamente o marketing de embalagens, que tornaram mais abundantes e descartáveis os produtos usados diariamente. “Dentro desse cenário, nada mais justo do que deslocar a verba de marketing das empresas para valorizar aquele profissional que tanto faz pela nossa limpeza urbana”, finaliza Elaine.
Vídeo sobre a matéria:
Fonte texto: A Carta Capital

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ato dos Movimentos Sociais reúne mais de 3 mil em Pinheirinho

3 mil pessoas. Esse foi o número de manifestantes que compareceram na manhã desta quinta-feira (05) na comunidade de Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de SP, para protestar contra a desocupação da área (ocorrida no dia 22/01) e o suporte precário dado  para as mais 1,5 mil famílias que ocupavam o local.
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Manifestantes ocupam Pça Central de S. J. dos Campos (crédito: Nilton Cardim)
O protesto, convocado pela CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais), durante o Fórum Social Temático, reuniu, além de moradores desalojados, centrais sindicais, sindicatos e entidades de defesa dos sem teto e sem terra. A caminhada começou por volta de 9h na praça Afonso Pena,percorreu vias do centro, e terminou na sede da Prefeitura de São José dos Campos, por volta das 14h.
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Segundo a prefeitura, a PM e a própria organização do ato, não houve incidentes. “A gente não quer mais confusão com a polícia e com a Guarda Civil. Nossa exigência é a desapropriação do terreno do Pinheirinho e melhorias nos abrigos onde estão as famílias”, afirmou Antonio Donizete, advogado que defende as famílias despejadas.
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Desalojados convivem em condições precárias à espera de uma solução
Às 15h, os manifestantes se dirigiram até o terreno do Pinheirinho, onde foi distribuído às famílias desalojadas alimentos, como arroz, feijão, frutas e legumes, trazidos pelas entidades em quatro caminhões.
Para o membro da CMS e secretário de Cultura, Esporte e Lazer da CTB, é inaceitável a truculência usada contra as famílias de Pinheirinho e o descaso e isensibilidade dos governos estadual e municipal diante do problema. "Reforçamos nosso posicionamento totalmente contrário à truculência praticada pela polícia dos governos Geraldo Alkmim e Eduardo Cury. E manifestamos também nosso total apoio ao processo de ocupação urbana que o movimento comunitário realiza em defesa da moradia popular. Essas famílias retiradas de suas casas, precisam agora de uma solução. Não podemos aceitar essa situação de abandono por parte do poder público aos desalojado. Expressamos toda nossa solidariedade aos moradores de Pinheirinho e continuaremos nosso protesto contra essa desocupação irresponsável por parte do PSDB".
O caso de Pinheirinho alcançou repercussão internacional. Já houve notícias no jornal inglês The Guardian, na rede de televisão Al Jazeera, e no sítio da Anistia Internacional. A violência com que os moradores da comunidade foram tratados não deixou indignado somente o povo brasileiro. Manifestações de repúdio à desocupação arbitrária e à violência desferida vem ocorrendo em diversos países.
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Manifestações de protesto em Madri e Berlim

Ativistas e organizações têm promovido diversas manifestações, muitas delas em frente às embaixadas brasileiras em seus respectivos países. Já ocorreram protestos na Alemanha, Espanha, Italia, França, Paraguai, Argentina, Portugal, EUA, Inglaterra, Irlanda, Escócia, Ucrania, Rússia, El Salvador, Costa Rica, Japão, Haiti, Venezuela, Honduras. Os ativistas aguardam ainda mais manifestações de repúdio à violência contra os moradores do Pinheirinho e pela desapropriação do terreno, que deve voltar para as mãos da comunidade.

Vídeo sobre a matéria:


Fonte texto: Portal CTB com agências

domingo, 22 de janeiro de 2012

PM em confronto contra moradores de Pinheirinho


"Estou me sentindo num campo de batalha", diz habitante de Pinheirinho



Cerca de 622 famílias estão abrigadas em um ginásio esportivo e uma escola do Campo dos Alemães, segundo a prefeitura de São José dos Campos (SP). Enquanto isso na área invadida, moradores continuam deixando o acampamento e são direcionadas pela triagem nas tendas montadas pela prefeitura em um centro comunitário do bairro.

Nivaldo Melo, 42 , que foi ouvido pela reportagem do UOL na manhã deste domingo (22), enquanto permanecia dentro do seu barraco no Pinheirinho com a ordem da Tropa de Choque, disse agora há pouco por telefone que foi encaminhado para o salão de uma igreja no Campos dos Alemães. Ele passará a noite no local ao lado da família.
Foto 27 de 49 - 22.jan.2012 - Tropa de choque da PM confronta moradores e vizinhos da área ocupada no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo. Diversas ruas da região estão isoladas. A polícia usa bombas para conter os manifestantes Mais Lucas Lacaz Ruiz/AE
“Eu não sei para onde seguiremos amanhã. Estou me sentindo num campo de batalha. Daqui continuo a ouvir o helicóptero. No centro de triagem fizeram um monte de perguntas, disseram que vamos poder pegar o resto das nossas coisas, mas isso não importa agora”, disse ele aoUOL.

Após uma trégua entre o confronto entre civis e policiais militares no Campos dos Alemães, bairro vizinho ao Pinheirinho, na zona sul de São José dos Campos, a 92 km de São Paulo, durante reintegração de terra, o clima de guerra voltou entre a população e a PM. Mais um carro foi incendiado agora à noite, ao todo são nove veículos queimados pela população.

Já são mais de quinze horas de confronto. Desde às 6h30, a Polícia Militar realiza uma mega operação para desocupar uma área de 1 milhão e 300 mil metros quadrados. Centenas de moradores do bairro vizinho Campos dos Alemães continuam enfrentando a ação da polícia.

A Polícia Militar negou que houve mortes durante a operação. Sobre o jovem baleado, a PM informou que o caso foi isolado da reintegração de posse. A área, segundo a polícia, foi ocupada durante 40 minutos. A PM acredita que até amanhã pela manhã a reintegração será cumprida 100% e a área entregue ao proprietário.


“A situação foi extremamente inconstitucional. A violência foi à base para esta desocupação. Injusto. O que e a maneira como foi feita deverá ser analisada pela Justiça”, disse o presidente do PSTU, José Maria
Agora à noite a situação no centro de triagem está tranquila. A PM fechou o acesso às ruas do entorno e está fazendo o policiamento no local. Amanhã pela manhã o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região fará um ato na praça Afonso Pena, no centro da cidade, às 9h.



Fonte texto e vídeo: UOL Notícias