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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Outono egípcio

A chamada “primavera árabe” foi, de forma afoita, chamada por alguns de uma revolução. Foi muito importante, principalmente porque quebrou um eixo fundamental da política dos EUA para a região – a ditadura de Mubarak. Não por acaso o país ocupa o segundo lugar na lista de receptores de apoio militar dos EUA, só superado por Israel.
Mas como fenômeno político, foi a vitória de uma luta antiditatorial. Permitiu que novas forças laicas aparecessem, somadas à força mais tradicional da oposição à ditadura – os islâmicos, organizados na Irmandade Muçulmana.
As eleições tiveram o triunfo dos islâmicos, que derrotaram, por estreita margem, no segundo turno, um candidato ligado à ditadura do Mubarak. Eleito Morsi, foi convocada uma Assembleia Constituinte, com maioria islâmica, mas um peso importante das novas forças laicas.
O erro mais grave de Morsi foi permitir que fosse elaborada e aprovada uma Constituição conforme os valores islâmicos, que impõe esses seus valores ao conjunto da sociedade, dividida entre forças islâmicas e laicas. Somada à crise econômica – que promoveu uma forte pressão do FMI para a aceitação de um empréstimo, com a correspondente Carta de Intenções, que Morsi rejeitou, consciente do que significaria para o país, mas sem elaborar alternativas – o Egito se viu envolvido em nova onda de mobilizações, agora contra sua administração.
Sucederam-se as mobilizações gigantescas, dos dois lados, a favor e contra o governo, numa situação de empate político. Que foi desempatado pela ação do Exército, que tinha sobrevivido incólume ao fim da ditadura e agiu para derrubar o governo do Morsi.
Um golpe militar, mesmo se com apoio popular. Setores que haviam se mobilizado saudaram o golpe, acreditando que poderiam derrotar os islâmicos e acercar-se ao poder.
Mas a capacidade de resistência dos islâmicos terminou rapidamente com essa ilusão. A repressão militar não se fez tardar e a polarização entre o Exército e a Irmandade Muçulmana se impôs.
Os EUA, incomodados, porque têm no Exército seu principal aliado – por isso Obama não pode usar a palavra golpe, porque estaria obrigado a suspender os auxílios militares ao Exército – não podem aparecer publicamente apoiando a interrupção de um processo democrático, mas tampouco podem condenar o regime.
O pior dos mundos se impôs: militarização do país – com o estado de sítio e a nomeação de governadores ligados ao militares nas províncias – e resistência dos islâmicos, com os setores laicos deslocados.
A primavera egípcia desembocou neste outono.

Fonte: Blog O Escrevinhador

domingo, 22 de janeiro de 2012

PM em confronto contra moradores de Pinheirinho


"Estou me sentindo num campo de batalha", diz habitante de Pinheirinho



Cerca de 622 famílias estão abrigadas em um ginásio esportivo e uma escola do Campo dos Alemães, segundo a prefeitura de São José dos Campos (SP). Enquanto isso na área invadida, moradores continuam deixando o acampamento e são direcionadas pela triagem nas tendas montadas pela prefeitura em um centro comunitário do bairro.

Nivaldo Melo, 42 , que foi ouvido pela reportagem do UOL na manhã deste domingo (22), enquanto permanecia dentro do seu barraco no Pinheirinho com a ordem da Tropa de Choque, disse agora há pouco por telefone que foi encaminhado para o salão de uma igreja no Campos dos Alemães. Ele passará a noite no local ao lado da família.
Foto 27 de 49 - 22.jan.2012 - Tropa de choque da PM confronta moradores e vizinhos da área ocupada no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo. Diversas ruas da região estão isoladas. A polícia usa bombas para conter os manifestantes Mais Lucas Lacaz Ruiz/AE
“Eu não sei para onde seguiremos amanhã. Estou me sentindo num campo de batalha. Daqui continuo a ouvir o helicóptero. No centro de triagem fizeram um monte de perguntas, disseram que vamos poder pegar o resto das nossas coisas, mas isso não importa agora”, disse ele aoUOL.

Após uma trégua entre o confronto entre civis e policiais militares no Campos dos Alemães, bairro vizinho ao Pinheirinho, na zona sul de São José dos Campos, a 92 km de São Paulo, durante reintegração de terra, o clima de guerra voltou entre a população e a PM. Mais um carro foi incendiado agora à noite, ao todo são nove veículos queimados pela população.

Já são mais de quinze horas de confronto. Desde às 6h30, a Polícia Militar realiza uma mega operação para desocupar uma área de 1 milhão e 300 mil metros quadrados. Centenas de moradores do bairro vizinho Campos dos Alemães continuam enfrentando a ação da polícia.

A Polícia Militar negou que houve mortes durante a operação. Sobre o jovem baleado, a PM informou que o caso foi isolado da reintegração de posse. A área, segundo a polícia, foi ocupada durante 40 minutos. A PM acredita que até amanhã pela manhã a reintegração será cumprida 100% e a área entregue ao proprietário.


“A situação foi extremamente inconstitucional. A violência foi à base para esta desocupação. Injusto. O que e a maneira como foi feita deverá ser analisada pela Justiça”, disse o presidente do PSTU, José Maria
Agora à noite a situação no centro de triagem está tranquila. A PM fechou o acesso às ruas do entorno e está fazendo o policiamento no local. Amanhã pela manhã o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região fará um ato na praça Afonso Pena, no centro da cidade, às 9h.



Fonte texto e vídeo: UOL Notícias