segunda-feira, 4 de novembro de 2013

'Apanhamos da mídia, ele vem de Rei', escreve Caetano em ataque a Roberto Carlos

O racha entre os artistas que compõem a Associação Procure Saber, noticiado neste sábado pela colunista da Folha Mônica Bergamo, chegou a seu momento mais explícito: Caetano Veloso, um dos integrantes do grupo (ao lado de Roberto Carlos, Gilberto Gil, Chico Buarque e outros), criticou publicamente a atitude de Roberto Carlos, que "só apareceu agora, quando da mudança de tom" na discussão sobre as biografias.
Em texto publicado em sua coluna dominical no jornal "O Globo", o baiano também critica a participação do advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, 56, nas ações do grupo.
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"Kakay é advogado de RC, não fala oficialmente pela associação. E RC só apareceu agora, quando da mudança de tom. Apanhamos muito da mídia e das redes, ele vem de Rei. É o normal da nossa vida. Chico era o mais próximo da posição dele; eu, o mais distante", escreveu Caetano.
Kakay presta consultoria a Roberto Carlos na disputa judicial em torno das biografias e frequentou reuniões do grupo Procure Saber, que apoiou publicamente a exigência de autorização prévia para a publicação de biografias --uma posição que sempre foi defendida por RC.
AFP
Caetano Veloso (à dir.) critica Roberto Carlos (à esq.) em texto do jornal 'O Globo
Caetano Veloso (à dir.) critica Roberto Carlos (à esq.) em texto do jornal 'O Globo'
Com a má repercussão gerada pela atitude do grupo, acusado de censura, entrou em cena um "administrador de crises" convocado por Kakay e por Dody Sirena (empresário de Roberto Carlos), que sugeriu uma nova abordagem do assunto --depois disso, Roberto Carlos deu uma entrevista ao "Fantástico", no último domingo (27), em que afirmou ser a favor das biografias não autorizadas, desde que houvesse "certos ajustes" à legislação vigente.
"Hoje (sexta), leio que um administrador de crises sugere que a Procure Saber seja desfeita, já que a mácula de atitude de censores pode sumir das imagens dos artistas, (...) mas não da de uma associação. Bem, o mínimo que posso dizer é que justamente meu desprezo pela ideia de cuidar de minha imagem como quem a programa para obter aprovação é o mesmo que me leva a tender para a liberação das biografias e a olhar com desconfiança para o conselho do especialista", escreveu Caetano em sua coluna.
COLUNISTAS DA FOLHA
Caetano também cita em seu texto três colunistas da Folha que trataram do assunto na semana passada.
"O artigo de Fernanda Torres na 'Folha' diz o que eu gostaria de dizer, se minha cabeça fosse centrada como a dela. Ela diz: 'Sou a favor da liberação'. Mas: 'Por outro lado, alguns limites merecem atenção'", escreveu o músico.
Sobre Ruy Castro e sua coluna da última sexta ("Jabuticabas jurídicas"), que defendeu a necessidade de independência dos biógrafos e criticou as "jabuticabas jurídicas --filigranas inéditas em outros países--, na forma de 'ajustes' ou 'meios-termos', para no fundo deixar tudo como está", Caetano escreveu que ela "mostra, em termos simples, a inutilidade do novo discurso moderado".
"Mais veemente do que ele, Jânio de Freitas, um jornalista de histórico glorioso, viu na recente virada estratégica um desrespeito pior aos princípios democráticos do que na radicalidade dos primeiros pronunciamentos: ambos, Castro e Freitas, veem sobretudo dissimulação. Para mim, ressalta o fato de que não há novidade conceitual nenhuma", escreveu Caetano.
O compositor afirma ainda que "a discussão está longe de ter chegado a um termo" e que "se o tom unilateral que tomou a imprensa me causou alguma revolta, as notas e matérias que deixam entrever manobras suspeitas provocam considerável mal-estar". No encerramento do texto, disse que "apesar de toda a tensão, continuo achando que estamos progredindo".
Fonte: Folha de S. Paulo

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