quinta-feira, 21 de junho de 2012

No Rio, Lula e Hollande criticam austeridade e defendem crescimento contra crise global


O ex-presidente brasileiro e o atual mandatário francês se reuniram nesta quarta-feira (20) no Rio de Janeiro, para discutir a crise econômica e as propostas da Rio+20. No encontro, Lula disse que a vitória de Hollande favorece a adoção de medidas para enfrentar os atuais desafios, e o francês elogiou as políticas dos governos progressistas da América Latina.


“Ambos concordaram que é preciso propor medidas corajosas e vencer os desafios sociais, políticos e econômicos que se colocam ao mundo: resolver a crise do emprego, combater a pobreza e dar à juventude esperança de futuro”, revelou nota divulgada pela assessoria de Lula.

O mesmo texto anota que o brasileiro considerou que “a vitória de Hollande favorece a adoção de medidas para enfrentar os desafios que se colocam para o mundo em geral, e para a Europa em particular, após esse período prolongado de imposição de soluções ortodoxas para uma crise que decorre fundamentalmente da desregulamentação do capital financeiro mundial”.

Por sua vez, o francês elogiou os "governos progressistas da América Latina" e suas políticas de superação da crise, que buscam não comprometer o crescimento e a distribuição de renda. Nem Hollande, nem Lula concederam entrevista aos jornalistas após o encontro. Um assessor do ex-presidente alegou a necessidade de o ex-presidente preservar sua garganta, após o tratamento de câncer por que passou.

Por essa razão, Lula também reduziu suas atividades na Rio+20. No início da tarde, ambos seguiram para o complexo do Rio Centro, na zona oeste da cidade, para acompanhar a cerimônia de abertura da conferência da ONU. A última atividade prevista pela assessoria de Lula será um jantar, na quinta-feira (21), com representantes africanos, no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura do Rio. 

A decisão de Lula em rever o atual mandatário francês se deve à proximidade entre os dois. Ambos já haviam se encontrado em Madri, em outubro de 2011, quando Hollande ainda era candidato. Na ocasião, o ex-presidente defendeu uma “solução brasileira” para a crise européia, com incentivo ao crescimento econômico, geração de postos de trabalho e distribuição de renda.

Vitorioso nas eleições, Hollande se tornou o primeiro presidente socialista francês desde François Mitterrand, que governou o país por 14 anos, entre 1981 e 1995. Ele tomou posse no mês passado e, agora, pressiona a chanceler alemã, Angela Merkel, a rever as políticas de austeridade disseminadas na zona do euro.

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