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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Caso Snowden e o terrorismo de Londres


Em nota divulgada na noite de domingo (18), o Ministério das Relações Exteriores classificou como "medida injustificável" a detenção no aeroporto de Heathrow do brasileiro David Miranda, companheiro do jornalista Glenn Greenwald - autor das denúncias sobre espionagem do governo dos EUA publicadas no jornal "Guardian". O Itamaraty também manifestou "grave preocupação" em relação à retenção de um brasileiro "contra quem não pesam quaisquer acusações que possam legitimar o uso da referida legislação" antiterrorismo da Inglaterra. A nota, porém, é insuficiente e tímida diante de mais um gravíssimo ato de provocação do governo britânico, a serviço dos EUA.


O estudante David Miranda, de 28 anos, foi detido ontem no aeroporto de Londres com base na lei inglesa de combate ao terrorismo, que permite prender suspeitos sem mandado judicial. Ele voltava de Berlim, onde passou vários dias em companhia da documentarista estadunidense Laura Poitras, que trabalha com Greenwald na análise dos documentos vazados pelo ex-técnico da CIA, Edward Snowden. O brasileiro ficou nove horas numa sala e teve seu laptop, celular e outros equipamentos eletrônicos apreendidos. Ele não pode sequer telefonar para o seu advogado. Um advogado enviado pelo "Guardian" teve acesso somente aos últimos 15 minutos de seu depoimento à polícia. 

Glenn Greenwald não vacila em afirmar que a detenção teve nítida motivação política. "Eles não perguntaram nada a ele sobre terrorismo, só sobre jornalismo: o que eu estou fazendo, o que eu não estou fazendo", revelou à Folha. "Para Greenwald, 'está claro' que a detenção do namorado foi uma ação para intimidá-lo e um 'ataque à liberdade de imprensa'. Segundo ele, os oficiais perguntaram até se Miranda tinha acesso a 'senhas' envolvendo o material das reportagens de Greenwald. 'Mas agora eu vou fazer muitas reportagens, e ser muito mais agressivo do que antes: vai ter o efeito oposto ao que eles quiseram'. Greenwald comparou a detenção à proibição que governos europeus deram ao presidente boliviano Evo Morales de sobrevoar seus países em julho".

O jornalista estadunidense do "Guardian" publicou vários artigos sobre as ações de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, com base em documentos vazados por Snowden. Atualmente, ele reside no Rio de Janeiro e não esconde seu temor diante das retaliações da CIA e de seus satélites. O governo brasileiro tem adotado uma postura branda - que relembra o complexo de vira-lata - frente às denúncias de espionagem dos EUA. Até a Anistia Internacional foi mais dura na critica à "detenção ilegal e indesculpável" de David Miranda. A nova "mensagem de intimidação" do império britânico, conforme denuncia Glenn Greenwald, revela apenas que esta postura tímida do Itamaraty incentiva as ações terroristas e prepotentes das potencias imperialistas.

Fonte: Blog do Miro.

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