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quinta-feira, 23 de julho de 2020

Sobre a experiência do inédito e do Outro em uma aula remota

O “novo normal” da aula remota parecia já assinalado por um efeito de sentido, uma opção semântica de “futuro antecipado” antes da crise pandêmica. Todavia, é possível contrariar o que vem se mostrando como um “futuro que chegou”, tal como uma profecia, problematizando a questão do valor do inédito na experiência com o outro.
O “novo normal” da aula remota parecia já assinalado por um efeito de sentido, uma opção semântica de “futuro antecipado” antes da crise pandêmica. Todavia, é possível contrariar o que vem se mostrando como um “futuro que chegou”, tal como uma profecia, problematizando a questão do valor do inédito na experiência com o outro.

Tenho visto colegas aflitos e tomados de ansiedade acerca da retomada das aulas. Este texto é em parte especialmente dirigido a estes.

Em tempos de pandemia global do novo coronavírus houve o embate de dois discursos acerca da aula como modo operacional norteador da Educação, que remexeu o debate e um possível “novo modo de ser”.

Aqueles que tentam pegar carona no “novo normal” (expressão até o momento, aparentemente à deriva, clamando por sentidos) e os que para além de muitas ressalvas percebem como o alcance de um novo estandarte de “normalidade” disfarça a manipulação de contingências de uma conjuntura já em curso antes da crise. A opção pelo segundo nos faz renitente à dominação engrenada do sentido dominante de “novo normal”.

O “novo normal” da aula remota parecia já assinalado por um efeito de sentido, uma opção semântica de “futuro antecipado” antes da crise pandêmica. Todavia, é possível contrariar o que vem se mostrando como um “futuro que chegou”, tal como uma profecia, problematizando a questão do valor do inédito na experiência com o outro.

Em uma aula convencional, temos esta experiência no ensino básico e nos seus relativos avanços sobre a concessão da fala e a (nem sempre garantida) tomada de posição pelo aluno; e no ensino universitário em que se intensifica a expectativa de que a experiência do inédito em um debate seja um dos eixos norteadores da transformação.

É a experiência do inédito que possibilita mudar de posição diante de um tema, assunto, relato, conceito. A mudança de posição, de idéia, de opinião, de visão sobre um tema, o enfrentamento da dificuldade na resolução de um cálculo complexo ou na escrita de um texto desafiador transcorre sempre com a aceitação do desconhecido e o testemunho e apoio do outro. A natureza da presença do Outro é tautológica. O outro é grande Outro, todavia. Não se reduz ao outro empírico, concreto, mas depende da alteridade do Outro, cujo diferencial está em uma relação que se estabelece.

Não houvesse esta natureza, este valor e esta envergadura com a quantidade que temos de aulas já postadas no portal youtube e que são, sem dúvida de muita valia para ampliar a capilaridade do conhecimento, dariam conta de ter resolvido todos os dilemas da Educação formal.

Diante deste cenário, contudo, sempre continuará como parte do enigma, da experiência quase telúrica de educar, a experiência do inédito também como modo de se partilhar a experiência também como transmissão do enigma de parte do já vivido. Valem em parte as indagações ordinárias: “Como você fez? Me ensina?” Em face do que a resposta, muitas vezes, é reticente porque comporta mistério.

Isto porque, calado, na memória coletiva, este mistério re-organiza (de forma também misteriosa, e aqui vale a redundância) modos de ser sempre comprometidos com a coletividade. Aqui valem duas máximas. Uma da Psicanálise sobre a transferência como fascínio, aproximação e distanciamento do Outro e a das teorias da enunciação sobre o falar de si e para si mesmo sempre pela presença de um terceiro presente/ausente na fala. Mesmo no autodidatismo e no monólogo há Outro.

É crucial que diante de todas estas nuances, estejamos aflitos e reticentes à disseminação da denominada aula remota e a sua implantação. É obrigatório também lembrar que uma dada conjuntura sociopolítica e histórica já definia o valor e alcance desta modalidade: os gananciosos do “mercado da Educação” pouco preocupados com qualidade do debate e do ensino e ávidos por mais EaD.

A escola brasileira que mal tem dado conta de defender um debate plural, com respeito aos direitos humanos, e de possibilitar o estranhamento do que parece evidente, corre o risco de atropelamento pela manipulação cínica. Vide a repercussão das fake news. Parte desta é sintoma de um mal-estar que aglutina nosso fracasso na formação de leitores.

As lives, por um lado, tem despontado em parte como requisito de produtividade do meio universitário neste período, e embora tenham podido aliviar um pouco a angústia, contam com a possibilidade de configurar públicos que não caberiam em muitos auditórios, permitindo certa sistematicidade e organização no calor do acontecimento histórico.

Junto disso, nossos colegas trabalhadores da educação básica sofrem com a pressão pelo “dever cumprido” dos “patrões” da rede privada. Por outro lado, as lives despontam neste contexto de forma preocupante como se dessem conta de recobrir o trabalho intelectual e sua natureza complexa que em parte contempla recolhimento para concentração. Sem contar que o sentido de live também faz parecer que o que fazíamos “antes” estaria em razoável zona de morbidez.

A aula presencial não é mero fetiche como se tem dito. Isto porque talvez seja um fetiche com especial valor político. Neste ponto de vista, é insubstituível porque somente com a presença concreta fazemos política e com a epifania da política podem vir transformações. A propósito, continuaríamos com este governo bárbaro caso as manifestações de rua seguissem seu curso?

Em tempos de onda de moralização autoritária das escolas “sem partido”, o avanço da aula remota pode flertar ainda mais com o autoritarismo que clama pela supressão de adversários, como sintoma do enfraquecimento da democracia e do senso de Outro. Caberia inclusive perguntar: como seria “ver” um experimento, ligar-se ou distanciar-se do outro, contemplar um quadro ou bulir com um texto poético em uma aula remota?

No geral, gabamos: “Frequentei tal museu, parque, auditório de instituições”. Sempre limitadas, as experiências remotas nunca substituirão a lotação dos parques, museus e ruas. As anódinas visitas online abrem questão também sobre o empobrecimento ainda maior da fantasia.

Esta expectativa de “novo normal” disfarça o sucateamento e os ataques de um “autoritarismo liberal” (conforme expressão de Achille Mbembe) e com o qual já sofríamos, e que tenta se reinventar nos bastidores da pandemia para naturalizar o distanciamento do Outro.

O distanciamento real misturado com o disfarce virtual faz parecer que a imposição da indiferença como modo “natural de ser só” é o que estava previsto. Seria uma nova etapa já profetizada. Entretanto, vale alertar que esta teleologia do absurdo se alinha ao esquadrão da morte da riqueza do calor do debate, debate este que incomoda a vociferação de absurdos que no Brasil atual ainda sustenta um governo anti-civilização.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Sinpro em Movimento


A proposta absurda apresentada pelo Sinep/MG na última reunião de negociação deixou os professores indignados. Em assembleia, realizada na sede do Sinpro Minas, nesse sábado (13/04), a proposta foi rejeitada pela categoria, e os professores decidiram realizar uma assembleia com paralisação, no dia 24 de abril, quarta-feira, às 10 horas no auditório da Associação Médica de Minas Gerais (Av. João Pinheiro, 161 – Centro).  

A proposta patronal prevê um reajuste de 6%, abaixo do índice acumulado do INPC, que foi de 7,22%, enquanto a reivindicação dos professores é um reajuste de 13,42%. O Sinep/MG também propõe a criação de pisos diferenciados para a educação infantil e convocação desses professores para quatro horas de reunião sem remuneração, precarizando ainda mais esse segmento. Além disso, quer a mudança na cláusula de garantia de salário de 1º de fevereiro para 1º de março e retirada das bolsas de professores que tenham filhos na educação infantil (0-3 anos).

“A proposta patronal incita a categoria a tomar decisões duras como a paralisação, pois a retirada de direitos significa uma afronta aos professores e um desrespeito aos quase três meses que estamos tentando negociar propostas concretas de valorização da categoria e de melhoria na educação”, afirmou o professor Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas.

A professora Maria das Graças de Oliveira, diretora do Sinpro Minas, avaliou que a proposta de retirada de direitos como bolsas de estudo, como quer o patronal, será recebida como uma bomba pelos professores. “Há cada vez mais cobranças no nosso trabalho e, ao invés de valorização, ainda querem retirar direitos”, disse, indignada. O professor José Carlos Arêas, também diretor do Sinpro, lembrou que “os direitos só são garantidos com mobilização”.

A assembleia contou com a participação de professores aposentados como o sr. Manoel Paulo de Oliveira, que conclamou os demais a levarem mais colegas para a próxima assembleia. “Eu podia estar tranquilo em casa, mas a minha vida é de luta”, disse. Um professor universitário presente na assembleia também manifestou a sua insatisfação com proposta do patronal e com a falta de valorização dos professores do ensino infantil. “Eu, como pai de filhos menores, fico preocupado em deixar os meus filhos com um professor que ganha pouco mais de R$ 8,00 por hora”, afirmou.

Vídeo sobre a matéria:
Fonte texto: Portal SINPRO MG

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Gilson participa de plenária pela reestruturação salarial de servidores federais


Gilson Reis se reuniu na manhã dessa quarta-feira (26/06) com analistas tributários da Receita Federal em Belo Horizonte. A plenária foi para debater pontos da campanha pela reestruturação salarial da categoria. De acordo com o SindiReceita, os analistas tributários ficaram em situação muito inferior às demais carreiras do estado. O Sindicato optou por não suspender as atividades enquanto houver possibilidade de negociação.

Gilson Reis fez uma explanação sobre a questão econômica mundial e a diferença da última crise para essa que está atingindo vários países. Para Gilson o mundo pode está vivendo uma nova história, na qual o estado está atacando sua própria estrutura para se salvar. Ele apontou que na outra crise o estado é que estava ajudando as instituições, mas que agora, poderá ter que recorrer a sua própria estrutura, como por exemplo, esvaziar as carreiras.

Ele afirmou que o Brasil está mais estável em relação a Europa, e já vinha prevendo a crise, por isso resolveu fazer ajustes fiscais em cima dos servidores públicos federais, “fez um colchão de proteção com base no servidor público. Não há política de recomposição salarial e as aposentadorias cada vez mais vão minguando”, afirmou.

Para ele é necessário uma reestruturação da carreira e não somente uma recomposição salarial. Gilson falou que o governo trabalha com a perspectiva linear, e não há mais negociação. Porém para ele, isso não pode acontecer, pois as carreiras têm suas especificidades e deve ser tratada individualmente.

“Não há como ter avanços na luta salarial se não tiver organização e luta”, salientou.
Vídeo sobre a matéria:

Fonte texto: Blog do Gilson Reis

domingo, 17 de junho de 2012

Sarau comemora aniversário do Movimento Popular da Mulher


O professor Gilson Reis participou nessa sexta-feira (15/06) de um Sarau de Poesia em comemoração ao aniversário do Movimento Popular da Mulher – MPM no Clube Mineiro da Cachaça. Cerca de 20 mulheres se reuniram para comemorar a luta pela emancipação feminina com declamação de poesias e muita cantoria.


Poetas como Cecília Meirelles, Adélia Prado, Lya Luft entre outras e outros, fizeram parte da noite. O sarau começou com o poema Dolores, lido pela presidente do MPM Bebela. Gilson também declamou uma poesia de sua autoria, feita há alguns dias atrás ao ser desafiado, no dia da cachaça, comemorado no mesmo bar, a escrever. O professor, que revelou seu lado poeta, foi muito aplaudido e se disse feliz com o reconhecimento. A comemoração ainda teve parabéns e bolo.


De Belo Horizonte, Sheila Cristina


Fonte texto: Blog do Gilson Reis

terça-feira, 17 de abril de 2012

Reduzir juros para Minas e o Brasil avançarem


Desde dezembro do ano passado, a taxa básica de juros da economia, a Selic, foi reduzida pelo Banco Central em 11,3%, para um patamar de 9,75% em março. Entretanto, o corte é insuficiente para colocar a economia do país nas condições que a sociedade exige. Mesmo com a redução realizada no último período, o Brasil continua praticando uma das maiores taxas de juros do mundo. Além disso, essa redução não foi repassada na mesma proporção pelas instituições financeiras ao consumidor final.

De acordo com estudo divulgado pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), entre dezembro e março, os bancos reduziram a taxa média para pessoa física em apenas 5,2%, para 108,8% ao ano em março, e em 5,3% para pessoa jurídica, que atingiu 54,6% ao ano no mês passado.

São dados como esses que incentivam a sociedade brasileira, os empresários e os trabalhadores a pressionarem o Banco Central e o setor bancário a reduzirem a taxa básica de juros e o spread bancário. Na semana passada, o Banco do Brasil anunciou corte de taxas, e a Caixa Econômica Federal fez o mesmo.

O estudo também mostra, por exemplo, que taxas do cartão de crédito e do cheque especial, serviços bastante utilizados pelos brasileiros, permanecem nos mesmos patamares de dezembro. No rotativo do cartão, a taxa média é exatamente a mesma: 238,3% ao ano. No caso do cheque especial, caiu apenas 0,58%, para 161,5% ao ano.

É importante ressaltar que a redução da taxa de juros significa a queda do custo do capital, criando oportunidades para mais investimentos e, consequentemente, mais geração de empregos e diminuição das desigualdades sociais.

Diante das necessidades dos trabalhadores e do setor produtivo mineiro e brasileiro que realizamos essa manifestação pública em frente ao Banco Central, para exigir a redução drástica da taxa básica de juros pelo governo federal, com o objetivo de garantir à sociedade brasileira o pleno desenvolvimento econômico e social com valorização do trabalho.

Fonte texto: Blog do Gilson Reis

domingo, 15 de abril de 2012

Grito de alerta em defesa da produção e do emprego: Minas cobra valorização do trabalho e medidas econômicas para o desenvolvimento do País


                                Manifestação em frente ao Banco Central, em Belo Horizonte
Cerca de 2 mil pessoas participaram do Grito de Alerta em Defesa da Produção e do Emprego em Belo Horizonte, na tarde da quinta-feira, 12. A manifestação, realizada em frente à sede do Banco Central, reuniu sindicalistas, trabalhadores, estudantes e empresários.
Estiveram presentes dirigentes da CTB Minas, Força Sindical, NCST,Federação Interestadual dos Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (Fitmetal), Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, União da Juventude Socialista (UJS), União Nacional dos Estudantes (UNE), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Associação Mineira dos Municípios (AMM), entre outras.
Presente no ato, o presidente da CTB Minas, Gilson Reis, cobrou a redução drástica dos juros e um novo projeto de desenvolvimento para o País, com valorização do trabalho e distribuição de renda. “Não é mais possível que o Brasil continue sendo campeão mundial em juros, pois isso não alimenta a produção, o emprego e a renda, mas tão somente o capital financeiro”, criticou. Segundo ele, é preciso somar forças para impedir que o País seja destruído pelo grande capital financeiro internacional.
Para o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, o Brasil está vivendo um momento histórico. “Pela primeira vez, trabalhadores, estudantes e empresários estão juntos. O que está em jogo neste momento é a definição do país queremos, se um Brasil potência ou colônia. Na sua opinião, a taxa de juros brasileira é um “câncer” que precisa ser extirpado da economia de forma que a indústria brasileira possa se tornar competitiva.
Já o presidente da Fitmetal, Marcelino da Rocha, disse que o Brasil precisa caminhar no sentido do desenvolvimento, e não viver de medidas paliativas que não solucionam os problemas enfrentados pelos trabalhadores e empresários. “Precisamos lutar conjuntamente com todas as forças para combatermos as altas taxas de juros e garantirmos mais produção e melhores salários para os trabalhadores”.
A defesa da produção e do emprego é uma luta pelo futuro da Nação, considerou o presidente João Alves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, a maior entidade representativa da categoria em Minas. “A nossa economia ainda tem um viés neoliberal. Por isso, é preciso conscientizar a população que esta luta é de todos. Somente seremos um País desenvolvido a partir do momento em que tivermos uma indústria forte e competitiva, com trabalho para todos e salários dignos”, afirmou.
Debate
Após o ato público, os manifestantes seguiram em passeata até a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, localizada próximo ao Banco Central, onde participaram de um debate sobre a desindustrialização promovido pelo Legislativo mineiro a pedido do deputado estadual Celinho do Sinttrocel (PCdoB), parlamentar oriundo do movimento sindical.
Segundo o deputado, o objetivo do encontro foi debater com firmeza a questão da desindustrialização e levantar sugestões e propostas para se enfrentar o capital estrangeiro, “que tem prejudicando consideravelmente as empresas e os trabalhadores de Minas e do Brasil”.
“Este é um problema nacional. Não podemos mais conviver com uma situação como esta. Nas empresas de Minas e do País, estamos tendo um grande número de demissões. Além disso, o PIB mineiro e nacional reduziu significativamente, em função do desaquecimento da economia decorrente do processo de desindustrialização. Portanto, precisamos construir propostas urgentes para mudar este quadro em favor dos trabalhadores e das indústrias”, enfatizou.
                                Gilson Reis no debate sobre a desindustrialização 

Confira a cobertura fotográfica da passeata e do debate no Facebook e no Orkut da CTB Minas.

Fonte Texto: Blog da CTB Minas