O ranking semanal de livros mais vendidos da revista Veja desprezou a vice-liderança de "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, na categoria de não-ficção. O livro apresenta documentos sobre um bilionário esquema de fraudes que teria ocorrido no processo de privatização comandado na década de 1990 durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A publicação não se manifestou a respeito.
Ribeiro Júnior traz documentos e informações que sugerem que o ex-caixa de campanha do PSDB e ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira agiu como "artesão" da construção de consórcios de privatização em troca de propinas. Parentes e pessoas próximas ao ex-governador de São Paulo e ex-ministro do Planejamento, José Serra, também são citadas.
Pesquisa realizada pelo Comunique-se apontou que a publicação de Ribeiro Júnior está entre os dez mais vendidos em livrarias e sites de literatura. "No entanto, na lista dos 20 mais vendidos da revista Veja, a publicação não aparece em nenhuma das posições", cita o portal especializado em comunicação.
Nas livrarias Cultura, Publifolha e Saraiva e no site especializado Publishnews, "A Privataria Tucana" aparece na segunda colocação entre as principais vendas não-ficção, atrás apenas da biografia sobre o empresário Steve Jobs, da Apple, morto neste ano, escrito por Walter Isaacson. O livro do jornalista brasileiro está em 10ª colocação no ranking anual da Fnac.
Veja manteve o "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", de Leandro Narloch, no lugar em que, segundo as livrarias, estava "A Privataria Tucana". "Nas outras listas, o livro de Narloch aparece apenas na 15ª posição", indica o site.
Se confirmada a alteração na lista dos mais vendidos, não seria a primeira ocasião em que a prática é verificada. Em abril de 2004, a revista anunciou uma série de mudanças nos critérios para a formulação do ranking, na mesma semana em que o livro "O dia em que matei meu pai", de Mário Sabino, então chefe de redação da revista, figurou como décimo da lista.
O poema de Machado de Assis em que ele pergunta se somos nós que mudamos ou se o Natal, parece anteceder a uma questão hoje corrente: a irreligiosidade da sociedade contemporânea. Émile Zola - que foi um dos primeiros críticos a elogiar os pintores impressionistas - achou de chamá-los de "realistas": eles, de fato, romperam uma tradição do cristianismo, de pintarem o ideal, como seriam as cenas religiosas. Mesmo quando retratavam alguém, não raro, um Rubens, um Delacroix ou mesmo um Ingres, trataram de fazê-lo, tendo como pano de fundo, digamos, uma cena idealizada, ou antes, um fundo nenhum. Foi o que fez Charles Dickens. Em seu famoso conto de Natal ("Christmas Carol"), tratou de pôr fantasmas na mente culpada do empresário que maltrata seu empregado, a partir da descrição de um literal pesadelo. O espectro, que arrasta correntes pela casa, e que o persegue no meio da noite, é claramente o demônio de sua consciência. Em seu poema, Machado de Assis não fala da questão do consumo que, em seu tempo, era muito precário em comparação com o que se vê hoje em dia. Mas ao detectar uma transformação ("Mudaria o Natal ou mudei eu"?), o escritor projeta a resposta que o mundo deu no futuro: o Natal, em si, já não é uma festa religiosa. Tudo indica que o que mudou foi o Natal.
Talvez a questão resida, de novo, no Papai Noel, um ícone de mentira, que sabemos ser de mentira, e que, por isso mesmo, não passa de um ícore. Na verdade, o personagem não tem nada de religioso: ele atravessa os ares com seu trenó, deixa presentes às crianças, mas não reivindica qualquer ligação com o além. Não é o Cristo da Manjedoura que o envia. Quando muito, talvez, sugira, pelas cores, a Coca-Cola: foi com o refrigerante que o Papai Noel apareceu na forma que tem hoje. O mais é a mistura: os sinos tocam em Belém "para o nosso bem", etc e tal -mas os personagens da Manjedoura parecem resolutamente secundários, coadjuvantes quase. E para os chamados "crentes" - que na atualidade constituem mais de um terço dos religiosos do país- o Presépio sequer existe. Assim também nas representações públicas. No máximo, temos a parafernália das luzes que se enrolam nas árvores, ou que despencam dos edifícios como um espetáculo feérico - mas que parece ter mais a ver com o neon da publicidade do que com as cenas consagradas pela tradição - aquela que se estreita numa gruta, com o Menino, a Virgem, os pastores vindos ao longe - anjos luminosos, uma estrela guia, e as músicas ressoando desde a estratosfera.
Quando Nietszche disse que Deus estava morto, a reação alcançou todos os setores das religiões; a grita geral atingiu vários níveis e o próprio Nietszche foi anatemizado. Sua constatação, de que as religiões perdiam seus elos com a totalidade dos homens, a começar pela sua posição no Estado, nunca foi contestada pelos fatos. E o alarido que se seguiu a sua conclusão, fez muita gente contabilizar, não só os milagre - como os de Fátima, de Lourdes e outros -, mas todo um elenco de fatos extraordinários, os quais, entretanto, nem de longe parece terem tido o condão de ressuscitar Deus.
Evidentemente, existem os religiosos: o Papa ainda reza a Missa do Galo, os crentes em suas denominação cada vez mais numerosas (a contar pelo número de pastores "empreendedoristas"), continuam a erguer seus braços na saudação a Cristo Jesus e em seus "aleluias". Algumas igrejas católicas esplendem em cores e luzes. Além do mais, há o islamismo. Dizer que Maomé já não tem Deus para ser seu último profeta, parece desconsiderar uma religião que cresceu desmesuradamente nos últimos anos, a ponto de os islâmicos serem, no mundo atual, em números, uma comunidade muito maior que a cristã. De fato, há aspectos de guerra religiosa na resposta que muitos muçulmanos dão às bombas dos EUA e da Otan, que negam, em princípio, a morte de Deus. No entanto, pode-se objetar que, ainda assim, soa inclusive para muitos seguidores do Profeta, quase uma regressão conceber a organização das sociedades em Estados Religiosos. No próprio Irã, aliás, há quem dê como como em dias contados, a manutenção da predominância dos clérigos na condução do Estado. Lá, também Alá estaria morto.
A questão, contudo, não parece simples; e não é. Há anos, um religioso escreveu um livro sobre a arte sacra do nosso tempo. Defendia que ela existiria, a despeito da irreligiosidade desenfreada que paradoxalmente se seguiu à Segunda Guerra. Referia-se ao catolicismo e nomeava alguns artistas contemporâneos. Olivier Messiaen que morreu não faz muito, foi, realmente, um compositor que sempre se postou como católico. Escreveu obras textualmente, "para Jesus" e guardou-se de que sua fé era inquebrantável, o que não deixou de ser reafirmado até sua morte. Georges Rouault, pintor, um pouco mais velho que Messiaen, francês como ele, fez uma obra quase que inteiramente religiosa. Françoise Gilot, ex-mulher de Picasso, autora de um livro sobre o pintor, refere-se a Rouault como um artista, eminentemente, religioso. O próprio escritor inglês Graham Greene, morto há uns vintes anos, expôs o problema religioso no âmbito das questões existenciais prioritárias do nosso tempo. Mas, pelo fato de ter colocado a questão, justamente como "um problema", não parece ter esmorecido a questão concreta de que, com ou sem "o problema", Deus estaria, de fato, morto.
Pode-se, certamente, ler de muitas maneiras a afirmação ("aforismo") de Nietzsche. A um homem convicto de sua fé - e há um sem número deles, inclusive entre grandes intelectuais e cientistas - a consideração seria ociosa, até contraditória. Teria de se a avaliar a questão com as devidas reservas: José Saramago, um decidido agnóstico, não imputou a Deus o "grande mal do mundo"? Como considerá-lo morto, se a cada homem-bomba no Iraque ou no Afeganistão, reacende-se a questão do martírio, que só se concebe na crença de uma fé inquebrantável? Realmente, é assim. Mas se torna cada vez mais difícil associar a Natal ao nascimento de Cristo. Ou melhor: existe muito pouco, na "maior festa da Cristandade" que conduza à conclusão de o Natal ser realmente uma festa cristã.
Claro, alguém dirá que é próprio do capitalismo não estreitar comemorações na religião. Complicado, realmente, vender certos produtos com as menções a Deus. Geladeiras e máquinas de lavar roupa, com as bênçãos do Manjedoura, são difíceis de engolir. Os religiosos que o digam.
Há as medalhinhas católicas e os dízimos protestantes, sem dúvida: todos são produtos vendidos ou comprados "em nome de Deus". Os pagadores de promessa, que se reúnem em Aparecida, aumentam sempre, talvez não na mesma proporção de tempos atrás, mas são numeroso; só que, em todas as manifestações, o que nos identifica já não é a totalidade do ser religioso socialmente, senão a especifidade de o sermos, no âmbito de nossas respectivas igrejas e templos.
Parece ser, enfim, inelutável entre os homens, a existência de um sentimento religioso difuso. Mas já Deus é um traço subjetivo, que não se expõe na última análise das músicas, cantadas nos templos, que só têm de verdadeiramente religioso a invocação direta a Deus. Canta-se Deus em forma de rock, de música de alto consumo, mas justamente por ser também Deus um objeto de consumo. Ou seja, parece que Deus prescinde de uma música especial, de comportamentos que distingam os religiosos dos consumidores. Somos crentes para invocarmos Deus, mas não para nos alijarmos dos outros como uma característica especial.
Durante as perseguições religiosas na Roma antiga, a marca do cristão era uma espécie de divisor de águas: não havia a "mercadoria Deus". Deve ser por Papai Noel mostrar-se tão importante, que se prescindem as ginásticas para não ofendermos ninguém, ao não invocarmos Deus justamente naquela que seria a marca da "maior festa da Cristandade"?
A pensar, certamente.
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Fonte Texto: Potal CTB/Enio Squeff é artista plástico e jornalista.
Sem nenhuma prova, apenas com a palavra de um ex-presidiário acusado de desvios de recursos do Ministério do Esporte, a revista Veja publicou uma reportagem acusando Orlando Silva de integrar um suposto esquema de desvio de verbas. A imprensa repercutiu o caso, a oposição explorou políticamente e Orlando caiu. O deputado pelo PCdoB paulista Aldo Rebelo assumiu a pasta e pediu auditoria nos convênios com ONGs.
No quinta-feira da semana passada (22), o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou ao jornal Valor Econômico que a fiscalização dos convênios com organizações não-governamentais (ONGs) não identificou nenhum desvio de recursos. "Ao que me consta, não foram encontrados desvios", disse, ao fazer uma avaliação da pasta que assumiu há menos de dois meses.
Rebelo afirmou que foram identificados apenas problemas formais na prestação de contas. "Às vezes é prazo de incorporação de documento, de emissão de nota. Irregularidade é isso. Não é propriamente desvio de recursos", disse.
Ao tomar posse, Rebelo disse que acabaria com os contratos com ONGs. A posição foi endossada pela presidente da República Dilma Rousseff, que suspendeu os repasses a essas organizações.
Ele afirmou que o ministério não renovou os contratos encerrados e não iniciou novos convênios com ONGs. Estão sendo mantidos aqueles em andamento, segundo ele, com fiscalização "rigorosa" e acompanhamento da Controladoria Geral da União (CGU) para identificar possíveis problemas. A intenção, disse, é substituir os convênios por parcerias com estados e municípios.
Rota de imigração ilegal pela região norte atrai milhares de haitianos em fuga da miséria e falta de perspectiva. Em Brasiléia, no Acre, abrigo de imigrantes produz ‘calamidade pública’. Capital do Amazonas, Manaus torna-se também a ‘capital haitiana’ no Brasil,uma referência por liderar forças de paz da ONU. Tropas começam a sair em março. Najla Passos – Brasília.
Brasileia é uma pequena cidade de 20 mil habitantes cravada no sul do Acre, na fronteira com a Bolívia. É bem provável que a imensa maioria dos brasileiros jamais tenha ouvido falar dela. Fora das fronteiras locais, porém, o município faz sucesso. A cidade é a porta de entrada no Brasil de uma rota de imigração ilegal de haitianos para o país.
Hoje, a cidade hospeda 810 haitianos. Uma população que, fugida de um dos lugares mais pobres do mundo, e onde o Brasil é uma referência por comandar tropas de paz das Nações Unidas, sonha com a cidadania brasileira, que lhes daria o direito de trabalhar, de estudar, de usufruir o Sistema Único de Saúde (SUS), enfim, de viver legalmente no país.
O Brasil, porém, não possui um tratado internacional que exima os haitianos de visto de permanência. Eles também não podem ser enquadrados no conceito de “refugiado”, definido pela Convenção de Genebra, que considera como tal toda pessoa obrigada a sair de seu país, sozinha ou em grupo, devido a perseguições de caráter político, racial, de gênero ou religioso.
O combustível da fuga é a miséria. E, quando cruzam a fronteira da Bolívia o Brasil, os haitianos assumem a condição de imigrantes ilegais. Uma situação que também causa problemas para autoridades públicas brasileiras.
Em Brasiléia, 600 haitianos estão hospedados em um hotel do município com despesas pagas pelo governo do Acre. Recebem duas refeições diárias, além de café da manhã. Tudo isso significa um gasto mensal de R$ 1 milhão para os cofres de um dos estados mais pobres do país.
E este não é, nem de longe, o maior problema. “O hotel em que eles estão alojados tem capacidade para 80 pessoas e estão vivendo 800. Não há como cozinhar para tanta gente, os banheiros não comportam. Daqui a pouco, a epidemia de cólera que assola o Haiti chegará até lá”, afirma o senador acreano Aníbal Diniz (PT).
Entre os hóspedes, há 17 mulheres grávidas e crianças em idade escolar. Em Brasiléia, os sistemas públicos de educação e saúde não têm como atender tanta gente. Para conseguir documentos como CPF (Cadastro de Pessoa Física) e carteira de trabalho, precisam esperar cerca de um mês. E as perspectivas são de que o número de haitianos no município aumente cada vez mais.
Informações da Agência Brasileira de Informação (ABIN) e da Polícia Federal (PF) revelam que há 50 haitianos do lado boliviano da fronteira aguardando uma oportunidade para entrar no país. E outros que 200 já deixaram Porto Príncipe, a capital devastada do Haiti, em direção ao Brasil.
A rota identificada pelas autoridades brasileiras mostra que, do Haiti, os imigrantes ilegais seguem para a República Dominicana, que divide a Ilha de São Domingos com o Haiti. De lá, os imigrantes vão para Equador, Peru e Bolívia, até chegar ao Acre. É operada por pessoas conhecidas como “coiotes”, participantes de uma quadrilha que os serviços policias e de inteligência do Brasil tentam desbaratar.
Na cidade amazonense de Tabatinga, tríplice fronteira com Peru e Colômbia, os haitianos também chegam em grandes grupos. Lá, não é o governo do estado que acolhe os imigrantes, mas a sociedade civil organizada, principalmente por meio do trabalho da Pastoral do Migrante, da Igreja Católica.
Levantamento feito pelas Nações Unidas aponta que, atualmente, 1,1 mil haitianos estão na cidade. Em 2010, a Polícia Federal recebeu 476 solicitações de refúgio. Em 2011, foram 1075. Todas elas foram negadas, mas os pleiteadores conseguiram um visto humanitário. Muitos se deslocaram para Manaus, em busca de emprego.
É justamente na capital do Amazonas que se concentra o maior número de haitianos: 3,2 mil, a maioria mantida também pelas igrejas e comerciantes locais. Também há haitianos vivendo em Rio Branco (AC), Porto Velho (RO) e São Paulo (SP). Em todo o país, 3.274 já requereram visto de permanência e 1,3 mil receberam.
Calamidade pública A pobreza e a miséria que, historicamente, colocam o Haiti no último lugar do ranking de desenvolvimento da América Latina e Caribe dificultam a reconstrução do país, após o terremoto de 2010, que afetou a vida de 3 milhões de haitianos e matou, de imediato, 222 mil pessoas.
“O terremoto foi terrível, mas o país já era miserável antes dele. Outros países que passam por catástrofes naturais, como Chile, conseguem se recuperar. Mas o Haiti, não”, justifica o representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Andrés Ramirez.
Segundo ele, hoje, passados quase dois anos, o Haiti continua sofrendo os efeitos da catástrofe. “Cerca de 300 mil casas foram destruídas. Mais de um milhão de pessoas continuam vivendo em acampamentos, em condições muito precárias. Por isso, o surto de cólera no país”, afirma.
Além disso, a violência vitima, principalmente, as mulheres. “A incidência de gravidez nos acampamentos aumentou de 4% para 12%, principalmente devido aos estupros que ocorrem durante à noite, em função das deficiências de iluminação”, denuncia.
Andrés Rmirez relata que a violência sexual e de gênero tem justificado, inclusive, que outros países aceitem receber os haitianos como refugiados. “Os números são modestos, mas já há 57 na Argentina, 146 no Peru e um no Chile”.
É neste contexto que os haitianos decidem deixar o país. As famílias mais abastados se organizam e enviam alguns membros pra os Estados Unidos. As de menor poder aquisitivo, agora, têm a alternativa de tentar o Brasil, que exige menos recursos e é mais seguro. Nos Estados Unidos, se descobertos, os ilegais são deportados para seus países de origem.
“A maior parte dos imigrantes ilegais haitianos é muito bem qualificada, justamente para conseguir emprego e ajudar a sustentar os que ficaram no Haiti”, diz o presidente do Comitê Nacional para Refugiados (Conare), Luiz Paulo Teles Barreto, também secretário-executivo do Ministério de Justiça.
O Brasil é ume referência também por liderar, desde 2004, as forças de paz das Nações Unidas que atuam no Haiti. O ministério da Defesa diz que as tropas brasileiras vão deixar aquele país a partir de março de 2012.
É uma tradição no interior de Minas Gerais. Todo ano, nessa época, as pastorinhas vão de casa em casa visitando os presépios. Um encontro de gerações que leva mais emoção no natal. O simbolismo do natal está presente na decoração das cidades e no jeito simples dos moradores. No aconchego de casa, o menino Jesus renasce todo ano e ele sempre recebe uma visita em Ipoema, distrito de Itabira, na região central do estado. É hora de abrir a porta para as pastorinhas. “Venha ver menino Deus, que nasceu nessa hora. Entrai, pastoras, entrai…”, cantam na celebração de fé.
Município precisa contratar 77 profissionais sendo 60 para urgência. Último processo seletivo recebeu apenas 20 inscrições.
Uberaba decreta estado de emergência por falta de médicos (Foto: Reprodução/TV Integração)
A Secretaria de Saúde de Uberaba decretou este mês estado de emergência. O município precisa contratar 77 médicos: 60 para urgência e emergência e mais 17 especialistas.
O decreto justifica que foram abertos processos seletivos ao longo deste ano, mas que as vagas não foram preenchidas. Um processo seletivo, que teve as inscrições encerradas no último dia 19, oferecia 60 vagas para os setores de urgência e emergência, mas apenas 20 interessados se inscreveram.
O secretário de Saúde de Uberaba, Valdemar Hial, admitiu que a falta de médicos já altera o atendimento especializado. Ele explicou que é preciso diminuir a frequência dos profissionais nas unidades básicas para que todas as regiões sejam atendidas. “Eu tenho que deixar um pediatra duas vezes por semana numa unidade e na outra três vezes e assim vou fazendo rodízio para tentar atender essas duas regiões”, explicou o secretário.
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De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, entre agosto e novembro deste ano, foram realizados dois processos seletivos para ginecologista. Houve apenas três inscritos e todos desistiram da vaga.
O município também não conseguiu contratar radiologistas. Apenas um médico foi inscrito em dois concursos. Mas a maior dificuldade é para a contratação de pediatras. Em seis meses foram abertos quatro processos seletivos, mas apenas uma vaga foi preenchida e para as outras não apareceram candidatos. “O médico hoje está desestimulado de ser pediatra e isso também ocorre com a ginecologia”.
A principal causa apontada para o desinteresse é o salário. “As propostas não oferecem um salário que assegure a tranquilidade e a carreira de médico para o exercício ideal da profissão”, explicou o conselheiro do Conselho Regional de Medicina (CRM), Nelson Barsan.
Remuneração
Em Uberaba, de acordo com a Secretaria de Saúde, no caso de especialistas, para uma carga de 20h por semana é oferecida remuneração de R$ 1.283,64, podendo chegar a R$ 3.500 com critérios de produtividade. Já para plantonistas no setor de urgência e emergência, para 12h por semana, o salário base é de R$ 733,67 com possibilidade de ganho de R$ 2.393,15, pois o salário dobra de valor caso a carga horária também seja duplicada.
Secretário de Saúde admite que problema afeta atendimento (Foto: Reprodução/TV Integração)
A baixa procura pelo emprego preocupa ainda mais às vésperas do início do ano letivo. “Nós trabalhamos com grande quantidade de residentes em termos de pronto-atendimento e devido a esta rotatividade, praticamente de seis em seis meses, nós tivemos que ter um decreto emergencial”, disse o secretário.
“Hoje há um balcão de empregos para recém-formados sem qualificação específica, porque eles são chamados para cobrir várias localidades do interior. E isso tem ocorrido com muita frenquência nos últimos cinco anos", comentou o conselheiro Nelson.
"Voltaremos! Por nossa terra, nossos mortos, nossa honra", diz camiseta de veterano argentino das Malvinas
"As Malvinas não são uma causa argentina, mas uma causa global, pois nas Malvinas estão tomando nosso petróleo e nossos recursos de pesca", afirmou a presidente argentina, Cristina Kirchner, após o anúncio tomado na cúpula do Mercosul, nessa terça-feira. "Quero agradecer a todos a imensa solidariedade para com as Malvinas, e saibam que quando estão firmando algo sobre as Malvinas a favor da Argentina também o estão fazendo em defesa própria".
Trata-se do mais marcante movimento coletivo dos vizinhos argentinos pela causa da libertação das Malvinas desde que, em janeiro deste ano, o Brasil se recusou a receber um navio de guerra britânico em rota às Malvinas. "Todas as demandas que são feitas de aviões ou navios britânicos em operações de guerra nas Malvinas, o Brasil não aceita. Nós reconhecemos a soberania da Argentina sobre as Malvinas e não da Inglaterra", disse na época o então ministro da Defesa, Nelson Jobim. Seguiram-se nos meses seguintes trocas constantes de acusações entre Buenos Aires e Londres. Em junho, a diplomacia britânica voltou a afirmar que a soberania das Malvinas é inegociável. "Não temos dúvidas sobre nossa soberania das ilhas", disse um porta-voz do ministério de Relações Exteriores. A declaração foi imediatamente criticada pelo governo argentino. "O Reino Unido continua demonstrando seu desprezo pelo direito ao ignorar os apelos da comunidade internacional em negociar com a Argentina a fim de resolver a disputa de soberania", afirmou nota do Ministério das Relações Exteriores. Os meses finais do ano foram de insinuações dos britânicos, que anunciaram a realização de manobras militares nas Malvinas, gerando reação dos membros do Mercosul, para quem a conduta britânica gerava "preocupação", constituindo uma possível violação das normas de segurança da navegação da Organização Marítima Internacional (OMI). Em novembro, no último capítulo antes do veto do Mercosul aos navios com a bandeira malvinense, o Exército britânico anunciou que o príncipe William participaria das manobras militates no sul da Argentina, num gesto visto por Buenos Aires como um "ato provocativo". Agora, especula-se o impacto sobre o veto dos Mercosul aos navios das Malvinas, embora o Reino Unido já tenha adotado um tom forte e provocativo contra o Mercoul. "Não é imediatamente claro que impacto prático, se algum, essa declaração terá, o que lembra a linguagem usada pela União das Nações Sul-Americanas em 2010", disse um porta-voz da Câmara de Comércio das Malvinas. Já Roger Spink, presidente desse órão, foi mais além. "Se fôssemos a Palestina, a União Europeia já estaria armando-se", comparou, falando à BBC. As Falkland, como os ingleses denominam seu território latino (localizado a menos de 500 km da Patagônia e a mais de 12 mil km do Reino Unido), representam a maior rixa entre Londres e Buenos Aires, desde a Guerra de 1982, vencida pelos britânicos.
Fonte texto: Com informações de agências e The Guardian.
Moradores da Comuna 13 ganharam uma escada rolante para facilitar o acesso à favela de Medellín, na Colômbia, ganhou uma escada rolante. Os moradores da Comuna 13, uma das favelas dos morros da cidade, agora podem subir pela escada que é dividida em seis partes e percorre 384 metros.
O prefeito da cidade afirma que este é o primeiro projeto deste tipo voltado especificamente para uma favela. Olga Holguin, moradora da Comuna 13, disse que "a escada é um sonho realizado" e ela foi uma das primeiras a passear na nova obra. As autoridades esperam que a nova escada, junto com outros projetos sociais, ajude a integrar os moradores com o resto da cidade. "O projeto vai mudar radicalmente como as pessoas encaram a Comuna 13", disse Eugenia Ramos, gerente de Desenvolvimento Urbano de Medellín. Os cerca de 12 mil moradores da Comuna 13 não vão precisar pagar pelo serviço. Antes, eles levavam meia hora para subir o equivalente a um prédio de 30 andares. Com a nova escada, que custou US$ 7 milhões, o percurso dura cinco minutos.
Pergunto aos meus intrigados botões por que a mídia nativa praticamente ignorou as denúncias do livro de Amaury Ribeiro Jr., A Privataria Tucana, divulgadas na reportagem de capa da edição passada de -CartaCapital em primeira mão. Pergunto também se o mesmo se daria em países democráticos e civilizados em circunstâncias análogas. Como se fosse possível, digamos, que episódios da recente história dos Estados Unidos, como os casos Watergate ou Pentagon Papers, uma vez trazidos à tona por um órgão de imprensa, não fossem repercutidos pelos demais. Lacônicos os botões respondem: aqui, no Brazil-zil-zil, a aposta se dá na ignorância, na parvoíce, na credulidade da plateia.
A mídia nativa segue a produzir seus estrondosos silêncios. Mas o Brasil é outro. Foto: Michelangelo. Século XVI. Afresco
Ou, por outra: a mídia nativa empenha-se até o ridículo pela felicidade da minoria, e com isso não hesita em lançar uma sombra de primarismo troglodita, de primeva indigência mental, sobre a nação em peso. Não sei até que ponto os barões midiáticos e seus sabujos percebem as mudanças pelas quais o País passa, ou se fingem não perceber, na esperança até ontem certeza de que nada acontece se não for noticiado por seus jornalões, revistonas, canais de tevê, ondas radiofônicas.
Mudanças, contudo, se dão, e estão longe de serem superficiais. Para ficar neste específico episódio gerado pelo Escândalo Serra, o novo rumo, e nem tão novo, se exprime nas reações dos blogueiros mais respeitáveis e de milhões de navegantes da internet, na venda extraordinária de um livro que já é best seller e na demanda de milhares de leitores a pressionarem as livrarias onde a obra esgotou. A editora cuida febrilmente da reimpressão. Este é um fato, e se houver um Vale de Josaphat para o jornalismo (?) brasileiro barões e sabujos terão de explicar também por que não o registraram, até para contestá-lo.
Quero ir um pouco além da resposta dos botões, e de pronto tropeço em -duas razões para o costumeiro silêncio ensurdecedor da mídia nativa. A primeira é tradição desse pseudojornalismo arcaico: não se repercutem informações publicadas pela concorrência mesmo que se trate do assassínio do arquiduque, príncipe herdeiro. Tanto mais quando saem nas páginas impressas por quem não fala a língua dos vetustos donos do poder e até ousa remar contracorrente. A segunda razão é o próprio José Serra e o tucanato em peso. Ali, ai de quem mexe, é a reserva moral do País.
Estranho percurso o do ex-governador e candidato derrotado duas vezes em eleições presidenciais, assim como é o de outra ave misteriosa, Fernando Henrique Cardoso, representativos um e outro de um típico esquerdismo à moda. Impávidos, descambaram para a pior direita, esta também à moda, ou seja, talhada sob medida -para um país- que não passou pela Revolução Francesa. Donde, de alguns pontos de -vista, atado à Idade Média. O movimento de leste para oeste é oportunista, cevado na falta de crença.
Não cabe mais o pasmo, Serra e FHC tornaram-se heróis do reacionarismo verde-amarelo, São Paulo na vanguarda. Estive recentemente em Salvador para participar de um evento ao qual compareceram Jaques Wagner, Eduardo Campos e Cid Gomes, governadores em um Nordeste hoje em nítido progresso. Enxergo-o como o ex-fundão redimido por uma leva crescente de cidadãos cada vez mais conscientes das -suas possibilidades e do acerto de suas escolhas eleitorais. Disse eu por lá que São Paulo é o estado mais reacionário da Federação, choveram sobre mim os insultos de inúmeros navegantes paulistas.
Haverá motivos para definir mais claramente o conservadorismo retrógado de marca paulista? E de onde saem Folha e Estadão, e Veja e IstoÉ, fontes do besteirol burguesote, sempre inclinados à omissão da verdade factual, embora tão dedicados à defesa do que chamam de liberdade de imprensa? Quanto às Organizações Globo e seus órgãos de comunicação, apresso-me a lhes conferir a cidadania honorária de São Paulo, totalmente merecida.
A imprensa estará muito menos disposta a comprar uma briga durante a CPI da Privataria – quer porque ela começa questionando a lisura de aliados sólidos da mídia hegemônica em 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, quer porque esse tema é uma caixinha de surpresas. Em 2005, quando começaram a aparecer resultados da política de compensação de renda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva – a melhoria na distribuição de renda e o avanço do eleitorado “lulista” nas populações mais pobres, antes facilmente capturáveis pelo voto conservador –, eles eram mensuráveis. Renda é renda, voto é voto. Isso permitia a antevisão da mudança que se prenunciava. Tinha o rosto de uma política, de pessoas que ascendiam ao mercado de consumo e da decadência das elites políticas tradicionais em redutos de votos “do atraso”. Um balanço do que foi 2011, pela profusão de caminhos e possibilidades que se abriram, torna menos óbvia a sensação de que o mundo caminha, e o Brasil caminha também, e até melhor. O país está andando com relativa desenvoltura. Não que vá chegar ao que era (no passado) o Primeiro Mundo num passe de mágica, mas com certeza a algo melhor do que as experiências que acumulou ao longo da sua pobre história. O perfil político do governo Dilma é mais difuso, mas não se pode negar que tenha estilo próprio, e sorte. As ofensivas da mídia tradicional contra o seu ministério permitirão a ela, no próximo ano, fazer um gabinete como credora de praticamente todos os partidos da coalizão governamental. No início do governo, os partidos tinham teoricamente poder sobre ela, uma presidente que chegou ao Planalto sem fazer vestibular em outras eleições. Na reforma ministerial, ela passa a ter maior poder de impor nomes do que os partidos aliados, inclusive o PT. Do ponto de vista da eficiência da máquina pública – e este é o perfil da presidente – ela ganha muito num ano em que os partidos estarão mais ocupados com as questões municipais e em que o governo federal precisa agilidade para recuperar o ritmo de crescimento e fazer as obras para a Copa do Mundo. Sorte ou arte, o distanciamento de Dilma das denúncias contra os seus ministros, o fato de não segurar ninguém e, especialmente, seu estilo de manter o pé no acelerador das políticas públicas independentemente se o ministro da pasta é o candidato a ser derrubado pela imprensa, não a contaminaram com os malfeitos atribuídos a subalternos. Prova é a popularidade registrada no último mês do ano. Mais sorte que arte, a reforma ministerial começa no momento em que a grande mídia, que derrubou um a um sete ministros de Dilma, se meteu na enrascada de lidar com muito pouca arte no episódio do livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Passou recibo numa denúncia fundamentada e grave. Envolve venda (ou doação) do patrimônio público, lavagem de dinheiro – e, na prática, a arrogância de um projeto político que, fundamentado na ideia de redução do Estado, incorporou como estratégia a “construção” de uma “burguesia moderna”, escolhida a dedo por uma elite iluminada, e tecida especialmente para redimir o país da velha oligarquia, mas em aliança com ela própria. Os beneficiários foram os salvadores liberais, príncipes da nova era. O livro Cabeças de Planilha, de Luís Nassif, e o de Amaury, são complementares. O ciclo brasileiro do neoliberalismo tucano é desvendado em dois volumes “malditos” pela grande imprensa e provado por muitas novas fortunas. Na teoria. Na prática, isso é apenas a ponta do iceberg, como disse Ribeiro Jr. no debate de ontem (20), realizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, no Sindicato dos Bancários: se o Privataria virar CPI, José Serra, família e amigos serão apenas o começo. A Privataria tem muito a ver com a conjuntura e com o esporte preferido da imprensa este ano, o “ministro no alvo”. Até a edição do livro, a imprensa mantinha o seu poder de agendamento e derrubava ministros por quilo; Dilma fingia indiferença e dava a cabeça do escolhido. A grande mídia exultou de poder: depois de derrubar um presidente, nos anos 1990, passou a definir gabinetes, em 2011, sem ter sido eleito e sem participar do governo de coalizão da mandatária do país. A ideologia conservadora segundo a qual a política é intrinsecamente suja, e a democracia uma obra de ignorantes, resolveu o fato de que a popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizimou a oposição institucional, em 2010, e a criação do PSD jogou as cinzas fora, terceirizando a política: a mídia assumiu, sem constrangimentos, o papel de partido político. No ano de 2011, a única oposição do país foi a mídia tradicional. As pequenas legendas de esquerda sequer fizeram barulho, por falta de condições, inclusive internas (parece que o PSOL levou do PT apenas uma vocação atávica para dissidências internas; e o PT, ao institucionalizar-se, livrou-se um pouco dela – aliás, nem tanto, vide o último capítulo do livro do Amaury Ribeiro Jr.). Quando a presidente Dilma Rousseff começar a escolher seus novos ministros, e se fizer isso logo, a grande mídia ainda estará sob o impacto do contrangimento. Dilma ganhou, sem imaginar, um presente de Papai Noel. A imprensa estará muito menos disposta a comprar uma briga durante a CPI da Privataria – quer porque ela começa questionando a lisura de aliados sólidos da mídia hegemônica em 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, quer porque esse tema é uma caixinha de surpresas. Isso não chega a ser uma crise que a democracia não tenha condições de lidar. Na CPI dos Anões do Orçamento, que atingiu o Congresso, os partidos viveram intensamente a crise e, até por instinto de sobrevivência, cortaram na própria carne (em alguns casos, com a ajuda da imprensa, jogaram fora a água da bacia com alguns inocentes junto). A CPI pode ser uma boa chance de o Brasil fazer um acerto com a história de suas elites. E, mais do que isso, um debate sério, de fato, sobre um sistema político que mantém no poder elites decadentes e é facilmente capturado por interesses privados. Pode dar uma boa mão para o debate sobre a transparência do Estado e sobre uma verdadeira separação da política e do poder econômico. 2012 pode ser bom para a reforma política, apesar de ter eleições municipais. Pode ser o ano em que o Brasil começará a discutir a corrupção do seu sistema político como gente grande. Cansou essa brincadeira de o tema da corrupção ser usado apenas como slogan eleitoral. O Brasil já está maduro para discutir e resolver esse sério problema estrutural da vida política brasileira.
(*) Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo/Título alterado pelo Vermelho Fonte: Carta Maior
2011 trouxe como um dos grandes desafios para mim, a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Quando assumi a presidência, fiz um resgate da visão dos direitos humanos na nossa história. Reafirmei, então, minha posição de que esses direitos devem ser vistos, também, sob o prisma dos direitos civis e sociais. Não há como distingui-los. Por Manuela d'Ávila*
Garantir aos cidadãos os direitos humanos é garantir sua cidadania e dignidade. Neste período em que presido a comissão, realizamos mais de 60 audiências públicas e seminários sobre os mais diversos temas. Tratamos da violência contra as mulheres, da ameaça aos povos indígenas, da atuação de grupos de extermínio, da situação das emergências hospitalares, da discriminação racial, da intolerância religiosa, da homofobia, da saúde da população negra, dos anistiados políticos e anistiados do governo Collor, da violência no campo, do trabalho escravo urbano, da liberdade de expressão na internet, da juventude, para citar alguns. A violação dos direitos se dá infelizmente, em todas as áreas. Todo o trabalho frente à Comissão teve grande impacto. Isso se justifica porque todos os assuntos dizem respeito a pessoas, à violência, à exploração, ao preconceito… Mas alguns, em especial, causaram maior impacto. O primeiro que relembro diz respeito ao nosso sistema prisional. Enquanto alguns insistem na visão superficial de que aqueles que defendem direitos humanos defendem bandidos, nós estivemos no complexo de Bangu. Conhecemos, também, a ação do grupo AfroReggae. Vimos de perto que a situação é desumana, que o sistema não recupera, mas que há boa parte dos apenados que querem ser recuperados, e o AfroReggae ocupa um lugar vazio, que cabe ao Estado, mas que há anos está vazio. Eles mostram com a prática que é preciso e válido investir no ser humano. Outro assunto que teve forte impacto foram as denúncias de trabalho escravo. As imagens que vimos são muito fortes. São imagens que expõem ao nosso olhar o mundo em que vivem milhares de trabalhadores e imigrantes (na maioria ilegais no país). Conhecer a condição sub-humana a que são submetidos alguns dos que vivem em nosso país nos torna ainda mais responsáveis – todos os Poderes – e impelidos a tomarmos medidas que garantam a dignidade desses trabalhadores. Infelizmente as mudanças são lentas. Por fim, cito o caso da intolerância. O sociólogo Boaventura de Souza Santos afirmou que tolerar é pouco, é preciso respeitar. Essa é, sem dúvida, uma lição para todos. E que nós, legisladores, temos que fazer valer em nossa Constituição. Não há mais como conceber que o preconceito – em todas as suas faces – permaneça impune. Se todos somos iguais perante à lei, então façamos valer esse direito. Seja na orientação sexual, na igualdade de gênero, na liberdade religiosa. É preciso combater a intolerância e dar um passo à frente: respeitar ao próximo. Conhecer de forma mais profunda a realidade de milhões de brasileiros me fez reforçar a luta por mais igualdade e pela garantia de direitos básicos aos cidadãos. O papel do Estado precisa ser ocupado com precisão, ou corrermos o risco de ver direitos fundamentais serem violados permanentemente. Conseguimos, para avançar nesse sentido, apreciar 13 projetos de lei e denunciamos centenas de casos. Mas essa é uma luta que está apenas começando e deve ser de todos. A Comissão mostrou-me, ainda, que é possível construirmos consensos em áreas onde a intolerância sobrepõe-se ao bom senso. Havendo diálogo, respeito e debates democráticos, muitos dos desafios do nosso País podem ser superados. E essa lição não se restringe apenas à CDHM, mas a toda ação política. Essa é uma das grandes lições do ano e que guiará 2012.
*Manuela d'Ávila é deputada federal pelo PCdoB do Rio Grande do Sul e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados Fonte: Congresso em Foco
Nos últimos dias assistimos à publicação de diversas críticas ao projeto de lei que declara de interesse público a produção de papel para jornais por sua eventual inconstitucionalidade frente ao artigo 32 da Constituição Nacional. Estudantes, jornalistas e colegas que têm meu endereço de correio eletrônico encheram a caixa de entrada com perguntas a respeito. Veremos se é possível ajudar a esclarecer as coisas.
Em 1860, a Comissão Examinadora da Constituição Federal, que revisou o texto do que se inseriria, após a Convenção Constituinte, como artigo 32 da Constituição, sustentou que “entrando Buenos Aires na Confederação, entrava com suas liberdades conquistadas, e não sendo danoso às províncias de nenhuma maneira que a Capital tenha liberdade de imprensa, esta restrição de legislar deve ser aceita”. Assim consta no número 6 do El Redactor, una publicação elaborada pela mencionada comissão. Esta norma foi proposta pela Convenção da Província de Buenos Aires e, segundo os mais destacados autores do constitucionalismo argentino – entre eles Gregorio Badeni, que resgata o antecedente em seu livro Libertad de prensa –, sua fonte foi a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Em poucas palavras, se tratava de preservar que fossem as leis e os juízes da província que regulassem e julgassem, tal como a própria comissão expôs, os abusos que pudessem vir a ser cometidos por meio da imprensa escrita tanto como pela palavra “escrita ou falada”, como disse Vélez Sarsfield.
Não esgotaremos a totalidade das considerações que surgem do Sistema Inter Americano de Direitos Humanos, já que o artigo 13.3 da Convenção Americana estabelece que “não se pode restringir o direito de expressão por vias ou meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel para jornal, de frequências radioelétricas, ou de instrumentos e equipamentos usados na difusão de informação ou por quaisquer outros meios destinados a impedir a comunicação e a circulação de idéias e opiniões”. Vale mencionar que a referência aos “particulares” parece ter sido esquecida em várias publicações de fim de semana.
Também não esgotaremos as circunstâncias do debate que no dia 3 de maio de 1948 teve lugar na Câmara dos Comuns do Parlamento do Reino Unido, no qual se considerou o efeito da “escassez do papel para jornais” sobre a liberdade de expressão na Inglaterra. O debate aconselhou a Câmara a ficar alerta e chegou a propor que se colocasse a criação de plantas de produção de papel sob a órbita do Plano Marshall, uma proposta do deputado Christopher York, de Ripon.
Antes disso, preferiremos nos concentrar em como funcionaram as coisas no país cuja Constituição se credita como fonte do artigo 32. Que aconteceu com a interpretação de dita regra ao interior do sistema que lhe serviu de fonte? Que diz a jurisprudência dos Estados Unidos com respeito ao regulável nesse contexto?
Em 1945, a Corte dos Estados Unidos resolveu o caso “Associated Press vs. U.S.” no que se esclareceu a pertinência da lei anti-monopólio (Lei Sherman) com respeito às práticas e regras aplicadas por essa agência para discriminar, na entrega de informação jornalística àqueles que não fossem sócios de tal cooperativa – meios jornalísticos todos eles – e os efeitos que provocava esse condicionamento sobre a competição. A decisão é extensa e tem vários votos discordantes, mas vale a pena indicar algumas passagens que somam ao debate que assistimos nestes dias sobre a regulação da atividade econômica de um provedor de facilidades essenciais como o papel e a compatibilidade de tal regulação com os princípios constitucionais.
O voto do juiz Black constituiu a maioria e sustentou: “O fato de que um editor manobre com notícias enquanto outros o fazem com comida não faz, como destacaremos, acreditar que o editor tenha um particular santuário no qual possa com impunidade violar leis que regulam suas práticas de negócios”. Mais adiante afirma: “A Lei Sherman tem a intenção específica de proibir que empreendimentos independentes se transformem em ‘associados’ em um plano comum para reduzir a oportunidade de seus competidores de comprar ou vender as coisas nas quais o grupo compete”.
E em referência direta à Primeira Emenda, sustenta:
“A Primeira Emenda, longe de prover um argumento contra a aplicação da ‘Lei Sherman’, apresenta aqui poderosas razões para o contrário. A Emenda se apóia na assertiva pela qual a mais ampla disseminação possível de informação de diversas e antagonistas fontes é essencial para o bem estar do público, assim como a liberdade de imprensa é una condição para a sociedade livre (...). A liberdade de publicar está garantida pela Constituição, a liberdade de fazer acordos para deixar outros fora das publicações não está”.
Em 1969, no caso “Citizen Publ. vs U.S.”, a Corte declarou violação à Lei Sherman, modificada pela Lei Clayton, o acordo de joint venture (nem sequer conformavam una sociedade única, mas que assinaram um convênio de operação conjunta) entre duas publicações periódicas da cidade de Tucson (Star e Citizen). Mediante o convênio se estabelecia que cada jornal mantivesse o manejo de suas notícias, departamentos editoriais, marcas e identidades, mas se associariam em determinadas operações comerciais.
Essas operações eram: a) a fixação de preços de capa e de publicidade, o que implicava também o acordo de preços de assinaturas e sistemas de distribuição; b) acordo para a distribuição de benefícios; c) o controle do mercado – nem as publicações, nem nenhum de seus acionistas ou funcionários poderia se dedicar a qualquer outro negócio no condado que fosse contra a operação conjunta –.
Em 1953, o acordo se estendeu até 1990, mas o governo dos Estados Unidos levou o caso à Justiça por monopolização do mercado das publicações. O voto da maioria da Corte determinou que o caso exposto se tratava de restrição à competição de modo tão “claro e não ambíguo” que justificava um procedimento sumário no direito anti-truste. Mesmo contemplando como única causa opinável a situação de grave crise econômica das empresas, a Corte deu a razão ao governo. Disse que as restrições referidas à competição não tinham nenhuma sustentação à luz do caso “Associated Press”, entendendo que de nenhuma maneira poderia assumir que a Primeira Emenda implicava deixar o governo (não diz Estado, mas governo) sem poder suficiente para proteger a liberdade de expressão. A última frase incorpora um trecho categórico: “A venda do Star, para nós, parece muito adequada”. Qualquer semelhança com os desinvestimentos na atividade dos meios de comunicação locais fica a critério do leitor.
É claro que a indústria das publicações não ficaria quieta. Com lobby suficiente sobre o presidente Nixon – em campanha para sua reeleição –, e após uma rejeição inicial, conseguiram a aprovação da “Lei de preservação dos jornais”, em 1970, que admite – como exceção e em caso de graves dificuldades econômicas das solicitantes, próximas à falência – a possibilidade de acordos autorizados caso a caso pelo Departamento de Justiça sempre que se realizem sem afetar os componentes essenciais do negócio para não frustrar a possibilidade de competição.
O exposto permite concluir que uma iniciativa destinada a promover o acesso em condições de equidade a um produto essencial como o papel de imprensa não é um dos pontos vedados pelo artigo 32 da Constituição Nacional. Ao contrário, se seguíssemos a doutrina mais clássica sobre sua incorporação à Carta Magna, em 1860, ficaria claro que as regras que tendem a garantir uma liberdade de imprensa mais plural seriam plenamente compatíveis.
Resta-nos ainda mencionar que a lei argentina de defesa da competição não exclui os meios de comunicação, mas do resultado de seu debate parlamentar surge sua inclusão explícita. Contudo se a discussão recai sobre a pertinência constitucional da iniciativa, não é o artigo 32 o que a doutrina e a jurisprudência aplicáveis no sistema jurídico de origem aconselhariam para impugná-la.
Video sobre a matéria:
* Tradução de Libório Junior.
Fonte texto: Por Damián Loreti, no sítio Carta Maior/Blog do Miro
Como o ano está próximo do final, vamos praticar o esporte predileto desse período que é passar em revista o que rolou de importante no ano de 2011. Fiquemos no governo Dilma. O balanço do seu primeiro ano de mandato é positivo, sem ser excepcional.
Eleita sob os auspícios da popularidade de Lula, desde o início Dilma tinha um problema essencial a enfrentar: firmar sua autoridade diante de vários cenários: do ministério, em boa medida herdado, da ampla base partidária de sustentação do governo e da sociedade em geral.
Com sua decantada firmeza, Dilma conseguiu transmitir a imagem de domínio das alavancas de comando do país. Os altos índices de popularidade, superiores inclusive ao do governo Lula na comparação do período inicial dos dois governos, parecem atestar um acerto na tática de conquistar credibilidade e apoio.
Os riscos de desgaste com a possibilidade de contágio da crise econômica ainda não surtiram efeito. Em um mundo mergulhado em profunda crise econômica, o país, mesmo com o PIB zero do terceiro trimestre e a lerdeza das mudanças macroeconômicas, mantém ainda razoáveis indicadores de emprego e renda.
Na área social e trabalhista, a presidenta manteve, no geral, a política anterior. Nas relações internacionais, uma certa inflexão pragmática não alterou em profundidade a reorientação diplomática do país. O ponto mais polêmico e incerto, no entanto, foi seguir a partitura midiática na degola de ministros.
Vista em seu conjunto, entre altos e baixos, a média é positiva. Mas alguns desafios se colocam para 2012: reforma ministerial, eleições municipais, reativação econômica e definição de uma agenda positiva que não fique refém do roteiro conservador da mídia oligopolizada.
A reforma ministerial terá sentido se der maior coesão ao governo, manter a ampla base política e social de apoio e desvencilhar-se das armadilhas de uma mídia que se pretende partido político de oposição e intérprete da opinião "pública".
Nas eleições municipais, talvez o maior desafio seja conter a gula exlusivista do seu partido e ter postura ampla e democrática com todos os partidos da base. Acumular forças em 2012, sem fraturar a coalisão, é o melhor caminho para chegar bem na foto em 2014.
Dois problemas importantes: avançar no marco regulatório das comunicações brasileiras, garantindo a pluralidade de opinião e a liberdade de expressão dos diversos setores da sociedade - em uma palavra, enfrentar o monopólio midiático do país.
Segundo, definir os marcos de um pacto desenvolvimentista, que liberte o país das amarras do conservadorismo macreconômico e pavimente o caminho para o crescimento sustentado do PIB ancorado na democracia, soberania e progresso social.
Se der conta desses desafios, a nossa presidenta Dilma poderá deixar o Pelé no banco de reservas por mais uma temporada...
O recheio da revista "Sexy" que chega às bancas hoje é ROSANA FERREIRA, que venceu o concurso Miss Bumbum Brasil 2011. Apesar de ser do Espírito Santo, ela ganhou o título representando o Ceará. Rosana foi fotografada por Vanessa Dalceno, em São Paulo. Semana passada, ela desfilou com seu "discreto" vestidinho vermelho pelo aeroporto Santos Dumont, no Rio, e acabou chamando atenção de DALTON VIGH, que também estava por lá. "Não resisti e fui lá parabenizar pelo trabalho dele, porque assisto a novela todos os dias e sou muito fã dele" contou ela ao site Ego. Rosana comentou suas fotos para a revista "Sexy": "A revista não usou photoshop. Eu pedi que fossem feitas o mais natural possível".Leotty junior/Agnews/divulgação
Em família
VANESSA GOULART, neta dos atores NICETTE BRUNO e PAULO GOULART, interpretará a própria bisavó na televisão. A atriz está na minissérie "Dercy de Verdade!, que estreia no dia 10 de janeiro na Globo, no papel de Eleonor Bruno. A bisavó de Vanessa era atriz e cantora, além de grande amiga da comediante Dercy Gonçalves, a homenageada da minissérie.
De volta
Curada de uma leucemia contra a qual lutou em 2011, DRICA MORAES está de volta à tevê. A atriz, que fez uma participação em "Ti-Ti-Ti" no início do ano, irá participar da minissérie "Dercy de Verdade", como a socialite Clô Prado. Renato Rocha Miranda/TV Globo/divulgação
Saradão!
KAYKY BRITO jogou futebol na praia da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, na tarde de quinta-feira, aproveitando o dia de sol carioca. O ator, irmão de STHEPHANY BRITO, desfilou o corpo em forma enquanto se bronzeava na companhia de amigos. Kayky está afastado da televisão desde o final da novela das 21h "Passione". Site Quem/divulgação
Nova musa
JULIA LEMMERTZ será a próxima Helena de Manoel Carlos, em 2013. LILIAN LEMMERTZ, mãe de Julia, interpretou a primeira Helena do autor, em "Baila Comigo", exibida em 1981 pela Globo. O convite foi feito, ao vivo, no último "Domingão do Faustão", durante o quadro "Arquivo Confidencial". Rede Globo/divulgação
Novo trabalho
Depois de dar vida ao cangaceiro Zóio-Furado de "Cordel Encantado", TUCA ANDRADA volta ao ar em "Dercy de Verdade", na nova minissérie da Globo. Na trama, ele viverá o jornalista Augusto Duarte, marido de Dercy Gonçalves. Para interpretar o personagem, o ator recusou o convite para encarnar o papel do primo de Guaracy em "Fina Estampa". Depois da minissérie, Tuca pretende focar no teatro e no cinema. Rede Record/divulgação
Confirmada
Apesar dos boatos de ter sido desconvidada do elenco de "Marajó", próxima novela das seis da Globo, CAROL CASTRO está confirmada na produção. Além da atriz, a novela, escrita por Elizabeth Jhin e dirigida por Rogério Gomes, contará com GABRIEL BRAGA NUNES, ROSI CAMPOS, PEDRO PAULO RANGEL e CARMO DELLA VECCHIA, entre outros. Além desse trabalho, Carol vai se dedicar a um filme do diretor Andrucha Waddington. Rede Globo/divulgação
Adrenalina
A nova edição do reality "Nas Ondas", exibido durante o "Esporte Espetacular" e o "Globo Esporte", vai contar com a participação de PEDRO SCOOBY, namorado da atriz LUANA PIOVANI. O surfista fará parte da equipe "Cacau", junto com Paulo Zulu, Bruna Schmitz, Suzan Kato e Pedro Menezes. Web/divulgação