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sábado, 11 de outubro de 2014

O sofrimento dos curdos em luta desigual contra o Estado Islâmico

Esquecidos por razões políticas, os curdos se deparam agora com uma luta extremamente desigual com o Exército Islâmico, dotado de blindados e uma capacidade bélica esmagadora
Em artigo publicado no The Guardian em 8 de outubro, o professor de antropologia da London School of Economics David Graeber lançou um alerta sobre a gravidade da luta dos curdos contra o Exército Islâmico na cidade de Kobani, na fronteira da Síria com a Turquia. (“Why is the world ignoring the revolutionary Kurds in Syria?”) Graeber, conhecido militante dos movimentos Occupy nos Estados Unidos, teve seu contrato não renovado com a Universidade de Yale em 2008, e foi para a Inglaterra, onde deu aulas na London University e agora está na LSE. Graeber compara a situação dos curdos nesta região da Síria à dos republicanos na Guerra Civil Espanhola, entre 1936 e 1939. Diz que da mesma forma que os republicanos ficaram isolados pelos países do Ocidente naquela época, os curdos estão sendo “esquecidos”, também por razões políticas. Diz o professor que os curdos promoveram uma verdadeira revolução nesta região da fronteira turca, chamada de Rojava, depois de se livrarem do controle do governo despótico de Bashar al Assad graças à guerra civil que grassa no país. Acentua que os curdos instituíram conselhos municipais renovados na região, com participação obrigatória de todas as etnias e culturas presentes nas cidades e também a presença obrigatória de pelo menos uma mulher. Ressalta ainda que na região formou-se uma “União das Mulheres Livres”, cujas militantes têm se destacado no combate ao Exército Islâmico que ele, sem rebuços, chama de um grupo de extrema-direita, comparando-os aos falangistas de Franco. O que estaria ocorrendo em Rojava e especificamente na cidade de Kobani seria uma vingança do Exército Islâmico contra os curdos da região. Afirma ele que foram militantes de Rojava que atravessaram a fronteira do Iraque para socorrer seus compatriotas cercados no monte Sinjar pelo ISIS, e que foram eles que conseguiram evitar que estes fossem perseguidos e até literalmente escravizados pelos militantes extremistas, e não os bombardeios norte-americanos. A luta em Kobani – e isto não é só Graeber que reconhece – é extremamente desigual. O Exército Islâmico dispõe de armamento pesado – inclusive blindados – e os curdos não. Inclusive só dispõem de armas antiquadas e não têm armas antitanque. Hoje (10) caiu o quartel general curdo na cidade em poder do grupo, e a ONU lançou um alerta temendo um massacre. De onde vem o armamento pesado do Exército Islâmico? São armas e blindados apreendidos dos exércitos sírio e iraquiano, ou contrabandeado para eles por infiltrados e/ou graças à corrupção pura e simples. Inclusive muitas das armas e da munição são de procedência norte-americana.
Em artigo publicado no The Guardian em 8 de outubro, o professor de antropologia da London School of Economics David Graeber lançou um alerta sobre a gravidade da luta dos curdos contra o Exército Islâmico na cidade de Kobani, na fronteira da Síria com a Turquia. (“Why is the world ignoring the revolutionary Kurds in Syria?”)