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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Pró-Esia - Fábrica de Versos... MADAME MOITESSIER, INGRES

Sabe-se, pelos diversos desenhos preparatórios e pelo decurso da obra, que Ingres mudou por várias vezes a atitude e sobretudo o vestido e as joias da senhos, que originalmente deveria aparecer com a sua própria filha. Enfim, escolheu esta visão em que é evidente a homenagem ao classicismo de Rafael e também à arte grega (a senhora, com efeito, mostra o seu próprio perfil grego na imagem refletida pelo espelho).

Mas Ingres é, sobretudo, um pintor moderno, que participa do próprio temppo: não é de todo improvável qe mesmo neste caso tenha tido presentes exemplares de retratos executados com a nova técnica fotográfica, que ele bem conhecia. Assim, o quado poderia ser a prova de uma competição com a fotografia, em que o pintor experiente, como Ingres, podia pôr em jogo todos os recursos do próprio virtuosismo, evidenciado pelo vestido, pelas joias, pelo veludo que cobre o sofá e que são de uma incrível verossimilhança.
A florida senhora Inès de Foucauld, mulher do banqueiro Moitessier, tinha vinte e três anos quando, a pedido do seu poderoso marido, Ingres iniciou este suntuoso retrato.
Terminou-o doze anos depois, quando a senhora tinha trinta e cinco e ele chegara já aos setenta e seis anos, como está escrito em latim ao lado da assinatura e da data: 1856.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Pró-esia... LOU ANDREAS -SALOMÉ: A PAIXÃO VIVA

Antes mesmo do seu encontro com Rilke, Louise von Salomé já intuía essa verdade: desde muito cedo encontramos nela um grande apetite de aprender e de amar - e o objeto de sua atenção podia ser a psicanálise, a curtição de uma paisagem, de uma flor, de um esquilo na floresta ou de um corpo amado.
(.....) Lou escreveu vários ensaios sobre o Erotismo. O primeiro deles data de sua ligação com Rilke. Intitulado reflexões sobre o problema do amor, traz as evidentes marcas da embriaguez física e espiritual que sua autora estava vivendo. Aqui ela assinala, em páginas de um admirável lirismo, a capacidade que tem a paixão amorosa de nos abrir o caminho ao sentimento da totalidade da vida e sua faculdade de nos colocar em estado criativo. O ato amoroso
Lou Salomé: uma prática de paixão; alguém que viveu a paixão com paixão, e talvez por isso mesmo provocou, até uma idade avançada, o nascimento da paixão nos seres que encontrou em seu caminho: Rilke, Nietzsche, Paul Rée, Tausk e, ao que parece, até mesmo Wagner sucumbiram ao seu encanto e à alegria de viver que transpirava em cada um de seus gestos - e o próprio Freud não parece ter sido indiferente à graça da discípula que ele qualificou de "raio de sol'.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Vigilante lança livro de poemas “Navegando nos mares do pensamento”

“Navegando nos mares do pensamento”. Este é o título do primeiro livro do vigilante e escritor Denis Aparecido Valerio, lançado recentemente. A publicação traz poemas, poesias e contos sobre os pensamentos e momentos vividos pelo autor.
“O livro trata da saudade dos amigos e da família, que nos enche de nostalgia. Fala da felicidade ao reencontrar os filhos, dos lugares que marcaram nossa vida, das inúmeras vezes em que nosso coração, como um barco errante, fez nossa mente ficar à deriva ou navegando nos mares do pensamento, repleto de musas femininas que norteiam nosso olhar, mas nunca se esquecendo daquele verdadeiro amor, que realmente marcou para sempre nossa vida”, explica o vigilante.
Trabalhador na Gol Segurança e Vigilância, Denis também é ambientalista, voluntário do Instituto Estadual de Florestas (IEF), como brigadista de combate a incêndios florestais, e fundador e vice-presidente da ONG Brigada Civil de Emergência, situada em Pedro Leopoldo, que presta atendimento pré-hospitalar e resgate a vítimas de acidentes automobilísticos e mau estar súbito, e atua na preservação das áreas verdes da região. Estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também é pesquisador nas áreas de saúde humana e animal.
Natural de Carapicuíba (SP), o vigilante reside em Minas, com sua família, há mais de 15 anos. “Fui surfista em Santos (SP) e praticava artes marciais para estar sempre em equilíbrio mental, físico e espiritual. Sou amante da paz e praticante do amor ao próximo. Por hobby, gosto de escrever e transmitir meus pensamentos e sentimentos em poesias”.
O livro “Navegando nos mares do pensamento” pode ser adquirido no site do Clube de Autores: http://www.clubedeautores.com.br/book/141554--Navegando_nos_mares_do_Pensamento
Fonte Texto: Sindicato dos Vigilantes de Minas Gerais.

terça-feira, 6 de março de 2012

O Poeta da Vez...


Cora Coralina
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Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de Jacinta Luísa do Couto Brandão, Ana nasceu e foi criada às margens do rio Vermelho, em casa comprada por sua família no século XIX, quando seu avô ainda era uma criança. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, tendo sido uma das primeiras edificações da antiga Vila Boa de Goiá.

Começou a escrever os seus primeiros textos aos quatorze anos de idade, publicando-os nos jornais locais apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries, com Mestra Silvina. Publicou nessa fase o seu primeiro conto, Tragédia na Roça.

Casou-se em 1910 com o advogado Cantídio Tolentino Bretas, com quem se mudou, no ano seguinte, para o interior de São Paulo. Viveria no estado de São Paulo por quarenta e cinco anos, inicialmente nas cidades de Avaré e Jaboticabal, e depois na cidade de São Paulo, para onde se mudaria em 1924. Ao chegar à capital, teve que permanecer algumas semanas trancada num hotel em frente à Estação da Luz, uma vez que os revolucionários de 1924 haviam parado a cidade. Em 1930, presenciou a chegada de Getúlio Vargas à esquina da rua Direita com a praça do Patriarca. Um de seus filhos participou da Revolução Constitucionalista de 1932.

Com a morte do marido, passou a vender livros. Posteriormente mudou-se para Penápolis, no interior do estado, onde passou a produzir e vender lingüiça caseira e banha de porco. Mudou-se em seguida para Andradina, até que, em 1956, retornou para Goiás.

Ao completar cinquenta anos de idade, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo". Nesta fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás.

Durante esses anos, Cora não deixou de escrever poemas relacionados com a sua história pessoal, com a cidade em que nascera e com ambiente em que fora criada. Ela chegou ainda a gravar um LP declamando algumas de suas poesias. Lançado pela gravadora Paulinas Comep, o disco ainda pode ser encontrado hoje em formato CD.

Cora Coralina morreu em Goiânia. A sua casa na Cidade de Goiás foi transformada num museu em homenagem à sua história de vida e produção literária.

Primeiros Passos Literários

Os elementos folclóricos que faziam parte do cotidiano de Ana serviram de inspiração para que aquela frágil mulher se tornasse a dona de uma voz inigualável e sua poesia atingisse um nível de qualidade literária jamais alcançado até aí por nenhum outro poeta do Centro-Oeste brasileiro.
Senhora de poderosas palavras, Ana escrevia com simplicidade e seu desconhecimento acerca das regras da gramática contribuiu para que sua produção artística priorizasse a mensagem ao invés da forma. Preocupada em entender o mundo no qual estava inserida, e ainda compreender o real papel que deveria representar, Ana parte em busca de respostas no seu cotidiano, vivendo cada minuto na complexa atmosfera da Cidade de Goiás, que permitiu a ela a descoberta de como a simplicidade pode ser o melhor caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito.
Obras
  • Estórias da casa velha da ponte
  • Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais
  • Meninos verdes (Infantil)Meu livro de cordel
  • O tesouro da casa velha
  • A moeda de ouro que o pato engoliu (Infantil)
  • Vintém de cobre
Divulgação Nacional

Foi ao ter sua poesia conhecida por Carlos Drummond de Andrade que Ana, já conhecida como Cora Coralina, passou a ser admirada por todo o Brasil.
Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, foi publicado pela Editora José Olympio em 1965, quando a poetisa já contabilizava 75 anos. Reúne os poemas que consagraram o estilo da autora e a transformaram em uma das maiores poetisas de Língua Portuguesa do século XX.

Onze anos mais tarde, em 1976, compôs Meu Livro de Cordel. Finalmente, em 1983 lançou Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha (Ed. Global).

Cora Coralina foi eleita intelectual do ano e contemplada com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores em 1983. Dois anos mais tarde, veio a falecer.

Mãe

Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.

Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.

Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.

Vídeo sobre a matéria:


Fonte texto: Portal Canto do Escritor